MESORREGIÃO OESTE CONCENTRA DOIS POLOS INDUSTRIAIS COM FORTE INSERÇÃO INTERNACIONAL
Exportações de alimentos e bebidas e de madeira e móveis somaram US$ 1,02 bilhão, dos US$ 1,45 bilhão exportados pela região em 2024 A mesorregião Oeste de Santa Catarina reúne dois polos industriais com forte inserção internacional: alimentos e bebidas e madeira e móveis. Em 2024, do US$ 1,45 bilhão exportado pela região, US$ 638 milhões vieram do polo de alimentos e bebidas, enquanto o segmento de madeira e móveis respondeu por US$ 385,9 milhões. Os dados fazem parte de levantamento do Observatório Nacional da Indústria, em estudo conduzido pelo Observatório FIESC, que mapeou as concentrações produtivas estratégicas do país. “O desempenho dos dois polos internacionais reforça a relevância econômica da mesorregião Oeste para Santa Catarina, evidenciando cadeias produtivas consolidadas, com elevada capacidade exportadora, geração de empregos e integração competitiva aos mercados internacionais”, explica o presidente da FIESC, Gilberto Seleme. A mesorregião Oeste abriga 11,4 mil indústrias, inseridas em um universo de 50,2 mil estabelecimentos, e emprega 190,9 mil trabalhadores na indústria, de um total de 437,3 mil empregos formais. Chapecó lidera em número de trabalhadores industriais, com 38,39 mil empregados, seguida por Caçador (13,9 mil) e Concórdia (11,7 mil). Em número de estabelecimentos industriais, Chapecó também se destaca, com 2,4 mil indústrias, à frente de Concórdia (662) e Caçador (460). Alimentos e BebidasO polo internacional de alimentos e bebidas é o maior da região em valor exportado. Com 1.023 estabelecimentos e 85,3 mil empregados, o segmento tem como principais produtos exportados a carne suína, que somou US$ 367 milhões em vendas externas em 2024, carnes de aves (US$ 129,4 milhões) e outras preparações de carnes (US$ 74,4 milhões). Os principais destinos das exportações foram Chile, com US$ 118 milhões, Filipinas, com US$ 95,5 milhões, e Japão, com US$ 79,6 milhões. Destacam-se entre as exportadoras a Aurora Coop, que vende seus produtos para mais de 80 países. Em 2024, a cooperativa respondeu por 21,6% das exportações brasileiras de carne suína e por 8,4% das exportações de carne de frango, sendo um dos grandes destaques na produção nacional. O presidente da cooperativa, Neivor Canton, explica que a expansão internacional é prioridade nos planos estratégicos da Aurora. Em maio de 2025, a cooperativa inaugurou sua primeira unidade na China, um escritório comercial focado nos negócios envolvendo carne de suínos e de aves com a China. A expectativa é ampliar o atendimento para Hong Kong, Vietnã e outros países do sudeste asiático. A MBRF é outra grande exportadora da região. A unidade de Chapecó é a maior produtora de perus do estado, exporta peru, frango e empanados para mais de 50 países. As plantas de Concórdia e Herval d’Oeste exportam cortes suínos. A partir da unidade de Videira, exporta carnes de aves também para o Oriente Médio. Madeira e móveisJá o polo de madeira e móveis reúne 1.263 estabelecimentos e emprega cerca de 21 mil trabalhadores. As exportações do segmento alcançaram US$ 385,9 milhões em 2024, impulsionadas principalmente por obras de carpintaria (US$ 146,5 milhões), móveis (US$ 83,3 milhões) e madeira em forma (US$ 54,9 milhões). Os Estados Unidos foram o principal mercado comprador, com US$ 240,5 milhões, seguidos por Reino Unido (US$ 17,4 milhões) e França (US$ 15,9 milhões). “A indústria de móveis e madeira do Oeste é tecnológica e sua produção é sustentável, com processos que reaproveitam toda a madeira usada como insumo. A proximidade com o setor florestal é um diferencial competitivo importante”, destaca Seleme, que também é empresário do ramo. Destacam-se entre as exportadoras do segmento de madeira a Frameport, a Guararapes (unidade de Caçador) e a Adami. A Frameport destaca-se na exportação de portas para mercados como o norte-americano. A Adami conta com clientes em mais de 25 países, entre eles nos Estados Unidos, Canadá, Europa, África, Israel e Arábia Saudita. A unidade da Guararapes em Caçador é a maior produtora de MDF das Américas, com três linhas de produção. Entre as moveleiras o protagonismo fica com empresas como a Móveis Henn, que exporta móveis populares, a Temasa, que tem entre seus clientes de móveis de madeira maciça a descolada IKEA. A Sollos, fabricante de móveis de alto padrão de Princesa, tem 120 prêmios de design, muitos protagonizados por Jader Almeida, designer reconhecido internacionalmente. Com informações: Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina – FIESCGerência de Comunicação Foto: Plinio Bordin
REDUZIR JORNADA DE TRABALHO POR LEI É UM SALTO NO ESCURO
Confira artigo do presidente da FIESC, Gilberto Seleme, sobre a redução da jornada de trabalho “Reduzir jornada só é sustentável sob duas pré-condições: o aumento real da produtividade e a livre negociação entre as partes“, afirma Seleme. A indústria catarinense reconhece a importância fundamental de buscar melhores condições de trabalho e qualidade de vida para o trabalhador. No entanto, o debate sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de 44 para 36 horas sem redução salarial ignora as leis básicas da economia. Reduzir jornada só é sustentável sob duas pré-condições: o aumento real da produtividade e a livre negociação entre as partes, respeitando a realidade de cada setor e empresa. Impor essa mudança por lei é um golpe contra a competitividade. Vivemos um cenário internacional de concorrência acirrada e protecionismo crescente, com tensões entre EUA, China e Europa. O “tarifaço” americano é um alerta: ou somos competitivos, ou seremos engolidos. Um olhar para a realidade externa é elucidativo sobre o quanto este debate é inapropriado neste momento: países como Alemanha, Dinamarca, Irlanda, Holanda, Argentina e Uruguai permitem jornadas de 48 horas. A Suíça de 50. Atualmente, o Brasil se encontra na 100ª posição no ranking global da produtividade por empregado. Além disso, enfrentamos o apagão de mão de obra qualificada, situação que seria agravada pela redução da jornada, gerando um vácuo operacional impossível de preencher no curto prazo. A ideia de que menos horas no contrato significam mais descanso é ilusória. Exemplos da área da saúde mostram que o tempo livre costuma ser ocupado por trabalhos informais, os “bicos”, para complementar a renda. Ou seja, perde-se em produtividade industrial sem garantir o bem-estar real. Na prática, a jornada de trabalho média já começa a ser reduzida, em setores onde é possível. Mas os dados do Ministério do Trabalho (2024), organizados pelo Observatório FIESC, mostram que 86% dos trabalhadores formais da indústria catarinense — 806 mil pessoas — ainda possuem contratos de 44 horas. O dado evidencia o impacto que a medida teria neste momento em setores altamente expostos à competição internacional, como a maioria dos segmentos industriais de SC. No Brasil, implantar uma jornada de 36 horas por lei custaria R$ 179 bilhões à indústria, elevando o custo do emprego formal em 25%, segundo a CNI. No setor público, o impacto seria de outros R$ 150 bilhões. Por isso, a FIESC mantém posição firme: estamos intensificando o contato com a bancada federal catarinense para apresentar esses dados técnicos. Não podemos permitir que o populismo legislativo comprometa a sustentabilidade dos negócios e, por consequência, o próprio emprego do trabalhador. Gilberto Seleme, presidente da FIESC Foto: Filipe Scotti
NOVA LEI DO IMPOSTO DE RENDA DEIXA LACUNAS E GERA INSEGURANÇA JURÍDICA
Advogado especializado em direito tributário alerta sobre efeitos de potenciais interpretações equivocadas e falta de regulamentação na tributação de dividendos; Planejamento tributário terá de considerar imposto da pessoa física e jurídica para evitar surpresas, diz Capella. (Foto: Filipe Scotti) A Lei que que amplia a isenção de Imposto de Renda para quem tem renda até R$ 5 mil trouxe mais dúvidas do que certezas quanto à tributação de dividendos e altas rendas. A avaliação de especialistas em direito tributário é de que o texto sancionado no fim de novembro pelo presidente Lula deixa muitas lacunas e abre espaço para interpretações equivocadas, o que pode gerar insegurança jurídica. “Será necessário se organizar, planejar com atenção para não ter surpresas”, explicou o advogado Vicente Lisboa Capella, durante a reunião de diretoria da Federação das Indústrias de SC (FIESC) realizada nesta sexta-feira (12). No momento, o Senado estuda incluir mudanças em alguns artigos sancionados no projeto de lei que altera a tributação das bets e fintechs, em discussão na casa legislativa. Capella destacou pontos de atenção para os sócios de empresas no cumprimento das novas regras. Um dos principais complicadores, segundo ele, é o fato de que, para que a distribuição dos lucros e dividendos apurados em 2025 não entre na tributação anual, será necessário aprovar a distribuição até 31/12/205. A questão é que na maioria dos casos será impossível concluir o balanço e apurar o lucro exato do ano. Entre outras dificuldades, foram apontadas: === Com informações: Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina – FIESCGerência de Comunicação
PRODUÇÃO INDUSTRIAL CATARINENSE CRESCEU 7,7% NO ANO PASSADO
FIESC, contudo, não espera o mesmo desempenho em 2025 Santa Catarina liderou a produção industrial brasileira no acumulado de 2024, com um crescimento de 7,7% na indústria geral em comparação com 2023. O desempenho superou a produção industrial brasileira, que foi de 3,1% no ano passado. O presidente da Federação das Indústrias de SC (FIESC), Mario Cezar de Aguiar, avalia que o bom desempenho do estado pode ser explicado pela expansão do setor de bens de capital, que produz máquinas, equipamentos e infraestruturas utilizadas por outras indústrias para fabricar bens. “Esse segmento foi favorecido pelo movimento de redução dos juros iniciado em meados de 2023 e encerrado em outubro. Esse setor é essencial para o crescimento econômico, por impulsionar a produtividade e a inovação”, explica. Conforme análise do Observatório FIESC, entre os segmentos que compõem o setor de bens de capital, destacou-se o de máquinas e equipamentos, que teve alta de 17,1%. Esse crescimento foi impulsionado pelo aumento da atividade industrial em outros setores e também pelo avanço das exportações, que desempenharam um papel importante, especialmente nas vendas de bombas de ar e máquinas agrícolas. “O aumento da renda das famílias favoreceu o consumo de eletrodomésticos, impulsionando a indústria de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, que cresceu 16,9%. No comércio exterior, o crescimento das exportações de motores elétricos foi o principal fator de expansão”, explica a economista Camila Morais, do Observatório FIESC. Outro segmento relevante em Santa Catarina impactado pelo aumento da renda familiar no ano passado foi o têxtil e vestuário. A produção de artigos de vestuário e acessórios teve incremento de cerca de 10% em 2024, enquanto a fabricação de produtos têxteis, como itens de cama, mesa e banho, cresceu cerca de 7%. De todos os setores monitorados pelo IBGE, apenas um teve desempenho negativo em SC no ano passado, o de fabricação de móveis, com queda de cerca de 6%. “A diversidade da indústria catarinense e sua distribuição por todo o território fazem com que ela seja o motor da economia do estado, gerando impactos positivos também nos demais segmentos”, avalia Aguiar. A exportação e o consumo das famílias também favoreceram a indústria madeireira, especialmente a fabricação de produtos de madeira, que cresceu 8,9% em relação a 2023. O presidente da FIESC ressalta que, com o aumento dos juros a partir de outubro do ano passado, esse desempenho não deve se repetir em 2025. O consumo das famílias também deve ser arrefecido por um crescimento menor da renda previsto para esse ano, bem como um cenário ainda incerto para as exportações, diante da possibilidade de os Estados Unidos efetivamente adotarem e ampliarem medidas de reciprocidade tarifária. === Com informações: Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina Foto: Freepik / Fiesc / Divulgação
INDICADOR DE CONFIANÇA DO INDUSTRIAL MOSTRA CENÁRIO DE APREENSÃO
Levantamento da CNI mostra que, de janeiro para fevereiro, o Índice de Confiança do Empresário Industrial permaneceu em 49,1 pontos Na passagem de janeiro para fevereiro, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) manteve-se em 49,1 pontos. O cenário demonstra pessimismo entre os industriais pelo segundo mês consecutivo, revela a pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), na quinta-feira (13). Para o presidente da Federação das Indústrias de SC (FIESC), Mario Cezar de Aguiar, a percepção da indústria reflete a dificuldade que o governo federal vem demonstrando em cortar gastos, o que tem pressionado a inflação e levado à trajetória de alta dos juros. “A alta dos juros e a perspectiva de encolhimento da economia leva empresas a segurarem investimentos, por isso a percepção de um cenário mais desafiador para o futuro”, explica. Sobre o ICEI O ICEI é uma pesquisa mensal da CNI que mede a confiança dos empresários da indústria. O índice varia de 0 a 100 e valores acima de 50 indicam a confiança do empresário, enquanto valores abaixo de 50 demonstram falta de confiança. Para esta edição, foram consultadas 1.108 empresas: 447 de pequeno porte; 414 de médio porte; e 247 de grande porte, entre os dias 3 e 7 de fevereiro de 2025. Imagem === Com informações: Sistema FIESC Foto: Freepik / FIESC/ Divulgação