Famílias relataram que o acesso ao segundo professor estava sendo condicionado à participação no projeto
Crianças com autismo, deficiência intelectual e outras condições que demandam apoio especializado estavam sendo retiradas de suas turmas durante o horário regular de aulas em ao menos 11 escolas de Chapecó. Após receber relatos de dezenas de famílias e realizar visitas às escolas, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) enviou, nessa segunda-feira (16/3), uma recomendação à Secretaria Municipal de Educação pedindo mudanças imediatas no projeto “Salas Integrativas”.
A medida foi tomada pela 3ª Promotoria de Justiça da Comarca de Chapecó, com atribuição para a defesa dos direitos de crianças e adolescentes, que recebeu relatos de famílias preocupadas com o afastamento das crianças das turmas de referência e com a possível vinculação do acesso ao segundo professor de apoio, profissional que acompanha individualmente o aluno com deficiência em sala de aula, à participação no projeto.
Relatórios técnicos e visitas a escolas identificaram, ainda, falta de profissionais especializados e de acessibilidade adequada, salas com alunos de diferentes anos e necessidades reunidos no mesmo espaço, falhas no planejamento individual e casos em que professoras afastadas não foram substituídas.
As equipes do Ministério Público verificaram também que as atividades das “Salas Integrativas” vinham ocorrendo no mesmo turno das aulas regulares e sem registro de conteúdos, o que pode acabar substituindo parte das disciplinas da sala comum. Pela legislação brasileira, esse tipo de atendimento especializado deve complementar as aulas regulares, e não as substituir, sendo preferencialmente realizado no contraturno.
O que deve ser ajustado
A recomendação enviada pelo MPSC pede que o Município:
Caso a Secretaria não cumpra as orientações, o Ministério Público poderá adotar outras medidas, incluindo o ajuizamento de Ação Civil Pública.
Fonte:
Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC
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