Federação das Indústrias (FIESC) adverte que suspensão, que entra em vigor em setembro, pode gerar desemprego e afetar receita de quase R$ 880 milhões na avicultura do Estado
A economia do Grande Oeste catarinense e de todo o estado está sob alerta. Uma recente medida anunciada pela Comissão Europeia, que suspende temporariamente as importações de carnes e outros produtos de origem animal do Brasil, ligou o sinal de alerta no setor produtivo. A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) manifestou forte preocupação com os impactos comerciais e operacionais que a decisão pode trazer para a cadeia produtiva regional.
O bloqueio está programado para entrar em vigor no dia 3 de setembro de 2026. A justificativa do bloco europeu envolve exigências de adequações sanitárias e falta de informações formais sobre o controle e o uso de antimicrobianos (antibióticos) na pecuária brasileira. No entanto, entidades do setor e analistas correm contra o tempo para esclarecer que a barreira não decorre de falhas na qualidade dos alimentos, mas sim de um impasse burocrático no envio de relatórios e comprovações documentais por parte do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).
O peso no bolso e no emprego em Santa Catarina
O impacto financeiro potencial para o estado é bilionário. Apenas no setor de produtos avícolas (carne de ave), Santa Catarina exporta anualmente cerca de US$ 170 milhões (aproximadamente R$ 880 milhões) para os países da União Europeia. O bloco europeu responde por uma fatia expressiva — chegando a cerca de 17% em receita — do mercado de aves catarinense. A FIESC aponta que a suspensão dessas compras vai ecoar por toda a cadeia, desde os grandes frigoríficos até o pequeno produtor integrado no campo. Há o temor de que a perda temporária deste mercado estratégico acabe resultando em excedente de produção interna e possa gerar demissões na indústria frigorífica, cuja força motriz está concentrada fortemente na região Oeste do estado.
Além das carnes, a restrição europeia também inclui o mel e os pescados. Embora estes dois últimos setores representem volumes menores no comércio com a Europa (o mel foca nos EUA e os pescados atendem a outros mercados), as restrições ocorrem justamente em um momento em que as indústrias catarinenses ensaiavam uma retomada importante nessas vendas, impulsionadas pelas negociações do acordo Mercosul-União Europeia.
Efeito Vitrine
O maior problema de um veto europeu, segundo analistas econômicos, vai além dos valores financeiros imediatos. A União Europeia é considerada um “mercado vitrine” global, conhecido mundialmente pelo altíssimo nível de exigência sanitária. Quando um país sofre restrições no bloco, outras nações compradoras podem adotar medidas semelhantes por precaução, prejudicando a reputação internacional do produto.
Vale destacar que Santa Catarina não exporta carne suína e nem carne bovina para a Europa, logo o impacto imediato fica centralizado no setor avícola. No caso da carne bovina, o estado consome mais do que produz, o que blinda o mercado regional de bois.
Corrida contra o tempo para reverter a decisão
As agroindústrias catarinenses, representadas por entidades nacionais como a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), afirmaram que já estão fornecendo todos os subsídios e dados técnicos necessários ao Ministério da Agricultura para acelerar a elaboração do relatório exigido pelos europeus. O governo federal, por meio do vice-presidente Geraldo Alckmin e do Ministério da Agricultura, já sinalizou que está trabalhando diplomaticamente para esclarecer as exigências do bloco e tentar reverter a suspensão antes do prazo fatal de setembro.
A FIESC informou que continuará monitorando de perto o cenário, fornecendo suporte técnico e defendendo os interesses do parque fabril catarinense para mitigar os prejuízos e garantir a manutenção dos empregos na principal força econômica do nosso Oeste.
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Imagem ilustrativa: Composição IA Gemini/Rádio Chapecó

