TSE cria Núcleo de Forense Digital para reforçar análise de conteúdos manipulados por IA

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) criou o Núcleo de Forense Digital para reforçar análise de imagens, áudios e vídeos suspeitos de manipulação por inteligência artificial. Instituída pela Portaria nº 667/2026, a estrutura prestará apoio técnico à Justiça Eleitoral no enfrentamento da desinformação. As análises contarão com especialistas, ferramentas tecnológicas e supervisão humana.Foto: Luiz Roberto/Secom/TSE

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Medida formalizada amplia capacidade de enfrentamento da desinformação

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) instituiu o Núcleo de Forense Digital (NFD), estrutura técnica especializada destinada a apoiar a análise de conteúdos e artefatos digitais cuja autenticidade, integridade, procedência ou eventual manipulação precisem ser verificadas pela Justiça Eleitoral.

A medida foi formalizada pela Portaria-TSE nº 667/2026, publicada no Diário da Justiça Eletrônico (DJe) desta quinta-feira (8).

De acordo com a norma, o NFD atuará em situações que demandem avaliação técnica especializada, especialmente em casos envolvendo conteúdos digitais potencialmente manipulados, como imagens, áudios e vídeos produzidos ou alterados com o uso de inteligência artificial (IA) e tecnologias semelhantes. 

Atuação especializada 

O núcleo funcionará como estrutura de coordenação e apoio técnico, sem constituir unidade administrativa autônoma. Sua atuação ocorrerá de forma excepcional, quando a complexidade técnica, a gravidade, a escala ou o potencial de dano da ocorrência justificarem o emprego de capacidades especializadas.

A coordenação será compartilhada entre a Secretaria Judiciária (SJD) e a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED). Caberá à SJD coordenar o fluxo operacional das demandas, especialmente aquelas relacionadas aos processos judiciais eleitorais.

 Já a AEED será responsável pelo desenvolvimento técnico e institucional do núcleo, incluindo a atualização de protocolos, a validação de ferramentas, a capacitação de equipes e a articulação com especialistas. 

Combate à desinformação 

Entre as atribuições do NFD, estão o recebimento e processamento de demandas de apoio técnico especializado, a articulação para análise de ocorrências, a atualização de metodologias de forense digital e a promoção de atividades de capacitação e treinamento. 

A portaria também prevê a criação e manutenção de um cadastro de especialistas, peritos e profissionais com qualificação nas áreas de forense digital, análise multimodal, perícia de mídias sintéticas, segurança da informação e campos correlatos. 

Esses especialistas poderão ser acionados, assim como instituições parceiras, para auxiliar na realização de exames técnicos, observados os requisitos de qualificação, confidencialidade, segurança da informação e controle de acesso. 

O que poderá ser analisado 

O NFD poderá atuar na análise de: 

  • imagens estáticas, áudios e vídeos suspeitos de fabricação ou manipulação por inteligência artificial ou tecnologias semelhantes;
  • registros técnicos, arquivos, metadados e demais elementos digitais disponíveis;
  • e elementos técnicos que possam indicar automação, coordenação inautêntica ou disparo em massa, quando disponibilizados no âmbito da ocorrência submetida a exame. 

Os resultados dos exames deverão ser registrados em documentação técnica contendo a identificação dos materiais analisados, as metodologias empregadas, os resultados obtidos, eventuais limitações encontradas e os responsáveis pelos trabalhos. 

Supervisão humana 

A portaria estabelece ainda que ferramentas automatizadas e sistemas de IA podem ser utilizados como apoio às análises, mas seus resultados terão caráter auxiliar.  

O texto ressalta que a interpretação dos dados produzidos por essas tecnologias deverá ser realizada por especialistas e apreciada pela autoridade competente em conjunto com os demais elementos técnicos e contextuais. 

Além do apoio a processos judiciais eleitorais, o NFD poderá atuar permanentemente na atualização de protocolos, na validação de metodologias, na capacitação de equipes e no desenvolvimento de capacidades institucionais relacionadas à forense digital.

AN/GO/DB

Informações da Assessoria de Comunicação do TSE