SEXTA-FEIRA SANTA: O SACRIFÍCIO QUE MARCOU A HISTÓRIA DO CRISTIANISMO

Data central da fé cristã relembra a crucificação de Cristo e convida à reflexão, silêncio e espiritualidade A Sexta-Feira Santa é um dos momentos mais solenes do calendário cristão. Celebrada durante a Semana Santa, a data recorda a crucificação e morte de Jesus Cristo, considerado pelos fiéis o Filho de Deus e salvador da humanidade. Segundo os relatos bíblicos, Jesus foi condenado à morte após ser julgado pelas autoridades religiosas e políticas da época. Ele foi crucificado no monte Calvário, em Jerusalém, em um episódio marcado por sofrimento, injustiça e, ao mesmo tempo, por uma mensagem profunda de amor e redenção. Para os cristãos, a morte de Cristo não representa o fim, mas sim o cumprimento de uma missão divina: a salvação dos pecados da humanidade. Por isso, a Sexta-Feira Santa é vivida com respeito, silêncio e reflexão, sendo comum a realização de celebrações religiosas, encenações da Paixão de Cristo e momentos de oração. VIA-SACRA E O SIGNIFICADO DAS 15H Tradição relembra o caminho percorrido por Cristo até a crucificação e marca o horário de sua morte Uma das práticas mais tradicionais deste período é a Via-Sacra, também chamada de Caminho da Cruz. A devoção relembra o trajeto feito por Jesus Cristo desde sua condenação até a crucificação, sendo composta por estações que representam momentos marcantes da Paixão. A tradição tem origem nas peregrinações realizadas em Jerusalém e, ao longo dos séculos, passou a ser celebrada em igrejas e comunidades ao redor do mundo. As celebrações costumam ocorrer especialmente às 15 horas, horário que, segundo a tradição cristã, marca a morte de Cristo na cruz — momento conhecido como de profunda reflexão, silêncio e oração entre os fiéis. Em muitas tradições, os fiéis também adotam práticas como o jejum e a abstinência de carne, como forma de penitência e lembrança do sacrifício de Jesus. Igrejas permanecem sem celebrações festivas, reforçando o clima de luto e contemplação. A data antecede o domingo de Páscoa, quando os cristãos celebram a ressurreição de Cristo — considerada a vitória sobre a morte e o fundamento da esperança cristã. Mais do que um evento histórico, a Sexta-Feira Santa segue sendo, para bilhões de pessoas ao redor do mundo, um convite à reflexão sobre fé, amor ao próximo e transformação espiritual. Atualmente, o Cristianismo reúne entre 2,3 e 2,6 bilhões de fiéis, o que representa cerca de um terço da população mundial. === Imagem ilustrativa: Dreamina

ENCENAÇÃO DA PAIXÃO E MORTE DE CRISTO NO EFAPI ESPERA 25 MIL ESPECTADORES

Tradicional apresentação da Sexta-feira Santa mobiliza mais de 100 voluntários e transforma o bairro Efapi em um grande palco de fé, cultura e emoção A preparação já começou no bairro Efapi para uma das maiores manifestações de fé e cultura popular de Chapecó. A tradicional Encenação da Paixão e Morte de Cristo será realizada na Sexta-feira Santa, 03 de abril, no Campo do Loteamento Jardim do Lago, e a expectativa é de um público superior a 25 mil pessoas. Enquanto para muitos o domingo é dia de descanso, no Efapi o fim de semana tem sido marcado por ensaios intensos, organização e muita dedicação. Voluntários de diferentes idades se reúnem semanalmente para ajustar textos, definir figurinos e marcar cenas, transformando cada encontro em um momento de fé, entrega e união comunitária. Entre os estreantes está a auxiliar de saúde bucal Rosemar de Lins, que participará pela primeira vez da encenação, interpretando um fariseu. “Já participo da Igreja Católica e senti o desejo de integrar o grupo. Estou muito emocionada e os ensaios têm sido muito produtivos”, relata. Já o papel de Jesus Cristo será interpretado pelo empresário Jofre Sutilli, que vive o personagem pela segunda vez. Segundo ele, o público pode esperar um espetáculo marcado pela emoção. “Queremos proporcionar algo especial para quem mora em Chapecó e também para quem vem de fora. É reviver a trajetória de Jesus, uma história que fortalece a fé e toca profundamente as pessoas”, afirma. A encenação chega à 13ª edição no bairro Efapi e contará com a participação de mais de 100 atores e figurantes. Desde a primeira apresentação, em 2011, o projeto é dirigido por Unar Andreolla, que destaca o desafio do cronograma. “Temos apenas oito ensaios até o dia da apresentação. A peça começa com os milagres de Jesus, passa pela tentação no deserto, entrada em Jerusalém, Santa Ceia, julgamento, crucificação e culmina com a ressurreição”, explica. O evento conta novamente com o apoio da Prefeitura de Chapecó, por meio da Secretaria de Cultura, que garante a estrutura de som e iluminação. “Todo o espetáculo é construído junto com a comunidade, que se dedica de forma voluntária. Mais uma vez o município vai disponibilizar a estrutura necessária para a realização do evento”, destaca o secretário de Cultura, Fellipe de Quadros. A Encenação da Paixão e Morte de Cristo do Efapi já se consolidou como uma das mais tradicionais do município, reunindo fé, arte e participação popular em um espetáculo que emociona e atrai milhares de pessoas todos os anos. === Fotos: Kauelliy Vidor/Emilly Bueno/Acadêmicos do curso de Jornalismo da Unochapecó