APÓS AMEAÇA DE TRUMP, BRASIL PEDE DIÁLOGO PACÍFICO COM O IRÃ

Itamaraty lamenta mortes, reforça soberania iraniana e reage a cenas chocantes que circulam pelo mundo; Foto: Reprodução vídeo Maryam Shafipour @MaShafipour O governo brasileiro manifestou preocupação com a escalada de violência no Irã e defendeu a adoção de um diálogo pacífico e construtivo entre as partes envolvidas, após a intensificação dos protestos contra o regime e a divulgação de imagens que mostram ruas e áreas próximas a um necrotério, em Teerã, tomadas por corpos de manifestantes mortos durante confrontos com forças de segurança. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores lamentou as mortes registradas desde o fim de dezembro, apresentou condolências às famílias das vítimas e destacou que cabe exclusivamente ao povo iraniano decidir sobre o futuro do seu país. O Itamaraty reiterou, ainda, a importância do respeito à soberania nacional e aos direitos humanos, além de conclamar autoridades e manifestantes a buscarem soluções por meio de um diálogo substancioso, construtivo e pacífico. A posição brasileira foi divulgada após declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que utilizou redes sociais para incentivar manifestações no país persa, afirmando que “a ajuda está a caminho”. As declarações elevaram a tensão diplomática e ampliaram a repercussão internacional sobre a crise. Paralelamente, imagens e relatos divulgados por veículos internacionais causaram comoção mundial ao mostrar uma rua próxima a um necrotério em Teerã repleta de cadáveres, enquanto familiares tentavam identificar parentes mortos durante a repressão. Organizações de direitos humanos alertam para a possibilidade de o número de vítimas ultrapassar centenas ou até milhares, embora dados oficiais permaneçam escassos devido a restrições no fluxo de informações e no acesso à internet. Em divulgação feita por Maryam Shafipour @MaShafipour numa conta da plataforma X (antigo Twitter), a tragédia é mostrada em vídeo na forma mais cruel da ação humana. Recomenda-se cautela ao abrir clicar para ver o vídeo, pois contém cenas difíceis. O vídeo foi filmado, segundo a Agencia de Notícias France-Presse, em Kahrizak, ao sul do Teerã e nas imagens aparece o Centro de Diagnóstico Forense da Província de Teerã. Na porta, há várias pessoas chorando, familiares das vítimas fatais. As manifestações, inicialmente motivadas por reivindicações econômicas e pelo agravamento das condições de vida, ganharam contornos mais amplos e passaram a expressar insatisfação com o regime dos aiatolás. A repressão aos atos tem sido alvo de críticas de governos e entidades internacionais, que pedem contenção das forças de segurança e respeito às liberdades civis. O Itamaraty informou que a Embaixada do Brasil em Teerã permanece em alerta e em contato permanente com a comunidade brasileira residente no país. Até o momento, não há registro de brasileiros mortos ou feridos em decorrência dos confrontos. A posição oficial brasileira busca contribuir para a redução das tensões e reforça a defesa histórica do país por soluções diplomáticas, em um cenário de crescente pressão internacional diante das cenas de violência que continuam a circular pelo mundo. === Foto: Reprodução vídeo Maryam Shafipour @MaShafipour

ABUSO CONTRA PESSOAS IDOSAS NO BRASIL, REALIDADE INVISÍVEL

Quase 20 anos após o Estatuto da Pessoa Idosa, violações seguem recorrentes, principalmente dentro do ambiente familiar Passados quase vinte anos da promulgação do Estatuto da Pessoa Idosa (Lei Federal nº 10.741/2003), que assegura direitos e prioridade absoluta às pessoas com 60 anos ou mais, o Brasil ainda convive com um cenário preocupante de violações. Na prática, direitos básicos como dignidade, integridade física e autonomia financeira continuam sendo desrespeitados diariamente. Levantamentos oficiais e dados de ouvidorias indicam que a negligência e a violência financeira estão entre as agressões mais frequentes contra a população idosa. O dado mais alarmante é que, na maioria dos casos, os abusos ocorrem dentro do próprio lar e são praticados por familiares próximos, justamente aqueles que deveriam garantir proteção e cuidado. As Faces da Violação dos Direitos da Pessoa Idosa Abaixo, apresentamos uma visualização ilustrativa dos principais tipos de violência e as fontes oficiais para denúncia, com base nos dados e na legislação do país. Tipo de Violação Descrição da Agressão Mais Comum Fontes Oficiais para Denúncia Negligência Omissão de cuidados essenciais (saúde, alimentação), frequentemente por familiares. É a violação mais comum. Disque 100, Ministério Público, Conselhos do Idoso. Violência Financeira/Patrimonial Apropriação indébita de aposentadorias, cartões bancários e bens, uso de procurações abusivas. INSS, Polícia Civil, Ministério Público. Violência Psicológica Ameaças, humilhações, isolamento social, idadismo (preconceito de idade) e restrição de liberdade. Disque 100, Polícia Civil (190 PM). Violência Física Uso da força para ferir, provocar dor ou obrigar o idoso a fazer algo contra sua vontade. Polícia Militar (190), Polícia Civil, Hospitais e Unidades de Saúde. “Nenhuma pessoa idosa será objeto de qualquer tipo de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão, e todo atentado aos seus direitos, por ação ou omissão, será punido na forma da lei.” Artigo 4º do Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003). Negligência: o abuso silencioso dentro de casa O Disque 100 — canal nacional para denúncias de violações de direitos humanos, mantido pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania — registra todos os anos dezenas de milhares de denúncias envolvendo pessoas idosas. A negligência lidera as estatísticas, caracterizada pela omissão de cuidados básicos como alimentação adequada, higiene, acompanhamento médico e assistência diária. Dados do Painel da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos mostram que a maior parte das ocorrências acontece no ambiente doméstico, tendo filhos como os principais agressores. Especialistas apontam que a dependência física ou financeira da vítima em relação ao agressor é um dos principais fatores que dificultam a formalização de denúncias. Violência financeira e o uso indevido de benefícios Outra forma recorrente de violação é a violência patrimonial e financeira. Ela inclui práticas como a retenção indevida de cartões bancários, uso do benefício previdenciário sem consentimento, assinatura forçada de procurações e a contratação irregular de empréstimos consignados. O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) reforça constantemente o alerta para que pessoas idosas não entreguem documentos pessoais, cartões ou senhas a terceiros. Tanto o Estatuto da Pessoa Idosa quanto a legislação da assistência social preveem punições severas para quem se apropria ou desvia bens, proventos ou pensões, com penas que podem chegar à reclusão. Estatuto garante direitos e prevê punições O Estatuto da Pessoa Idosa estabelece que nenhum idoso deve ser submetido a negligência, discriminação, violência ou opressão. A lei determina que qualquer violação, seja por ação ou omissão, deve ser punida conforme a legislação vigente. Para que esses direitos sejam efetivamente garantidos, as autoridades reforçam a importância da denúncia e do uso dos canais oficiais de proteção. BOX DE SERVIÇO | ONDE DENUNCIAR VIOLAÇÕES CONTRA PESSOAS IDOSAS A proteção da pessoa idosa é uma responsabilidade coletiva. Informar, denunciar e fiscalizar são passos essenciais para que os direitos garantidos em lei deixem de ser apenas letra no papel e se tornem realidade no cotidiano da população idosa.