PASSAGEIROS QUEREM MAIS OPÇÕES, EMPRESAS PEDEM EQUILÍBRIO: QUAL SERÁ O FUTURO DO TRANSPORTE DE ÔNIBUS?

Debate nacional sobre novos modelos de transporte também envolve passageiros de Chapecó e do Oeste de Santa Catarina, que dependem das conexões rodoviárias para deslocamentos regionais e interestaduais A forma como os brasileiros viajam de ônibus está passando por uma transformação. A expansão de plataformas digitais de transporte rodoviário abriu uma disputa que envolve empresas tradicionais, novos modelos de negócio, órgãos reguladores e o Poder Judiciário. O debate nacional também interessa diretamente aos moradores do Oeste de Santa Catarina, uma das regiões do Estado que mais depende do transporte rodoviário para deslocamentos entre cidades, estados e grandes centros econômicos. Em municípios como Chapecó, considerada a principal referência regional do Oeste catarinense, o ônibus continua sendo um dos principais meios de transporte para estudantes, trabalhadores, pacientes que precisam de atendimento em outras cidades, empresários e famílias que circulam diariamente pela região Sul do Brasil. O QUE ESTÁ EM JOGO O conflito envolve principalmente a diferença entre dois modelos. De um lado está o transporte regular de passageiros, operado por empresas autorizadas, com linhas definidas, horários fixos e embarques geralmente realizados em terminais rodoviários. De outro, está o transporte por fretamento intermediado por plataformas digitais, em que passageiros interessados em um mesmo destino podem ser conectados a empresas autorizadas para realizar determinada viagem. Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres, o fretamento tradicional funciona mediante contrato, em circuito fechado, sem venda individual de passagens como ocorre no transporte regular. A empresa precisa estar autorizada e cumprir regras de segurança e fiscalização. A discussão chegou ao Judiciário porque empresas tradicionais afirmam que determinados modelos digitais poderiam disputar passageiros das linhas regulares sem obedecer exatamente às mesmas obrigações. Já as plataformas defendem que a tecnologia amplia a concorrência e cria alternativas com preços mais competitivos para os usuários. IMPACTO PARA SANTA CATARINA E O OESTE Em Santa Catarina, a discussão ganha importância pela característica geográfica do Estado. Enquanto o litoral possui maior concentração populacional e uma rede mais ampla de opções de transporte, o Oeste depende de conexões rodoviárias para garantir integração com outras regiões. Chapecó, por exemplo, possui ligações frequentes com cidades catarinenses, municípios do Paraná e do Rio Grande do Sul, além de rotas para centros como Curitiba, Porto Alegre e São Paulo. O Terminal Rodoviário Raul Bartolomei reúne empresas que operam diferentes destinos intermunicipais e interestaduais, demonstrando a importância estratégica do transporte coletivo para a região. Para moradores do Oeste, qualquer mudança no setor pode representar impacto direto em três pontos principais: CONCORRÊNCIA E SERVIÇO AO PASSAGEIRO Defensores da modernização do setor argumentam que plataformas digitais podem estimular a concorrência, facilitar a compra de viagens e aproveitar melhor a capacidade dos ônibus. Já representantes das empresas tradicionais alertam que o sistema regular possui obrigações como manutenção de linhas, cumprimento de horários e atendimento permanente de determinados trajetos, inclusive aqueles com menor demanda. Esse é um dos principais pontos do debate: como permitir inovação e novas alternativas sem comprometer a continuidade de serviços considerados essenciais para cidades menores. SEGURANÇA CONTINUA COMO PONTO CENTRAL Independentemente do modelo escolhido pelo passageiro, especialistas e órgãos públicos reforçam que a segurança deve ser prioridade. A ANTT orienta que usuários verifiquem se empresas e veículos estão devidamente autorizados, se existe licença válida para a viagem e se o transporte segue as normas estabelecidas. Para uma região como o Oeste catarinense, onde muitas viagens envolvem longas distâncias, estradas movimentadas e deslocamentos interestaduais, a fiscalização tem papel fundamental. UM NOVO CENÁRIO PARA O TRANSPORTE RODOVIÁRIO A disputa entre plataformas digitais e empresas tradicionais faz parte de uma mudança maior que já ocorreu em outros setores da economia. Aplicativos transformaram mercados como transporte individual, hospedagem e serviços financeiros. Agora, o transporte coletivo rodoviário vive um processo semelhante, com a tecnologia questionando modelos construídos ao longo de décadas. Para passageiros de Chapecó e de todo o Oeste de Santa Catarina, o resultado dessa disputa poderá definir se o futuro das viagens terá mais opções, novos formatos de contratação e maior concorrência — sempre com o desafio de manter segurança, qualidade e integração regional. === Foto: Arte/Rádio Chapecó-IA