ESTUDO APONTA: SC PODE TER ELIMINAÇÃO DE 41 MIL EMPREGOS COM REDUÇÃO DA JORNADA

Levantamento da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina indica aumento de quase 10% no custo do trabalho e impacto na competitividade da indústria catarinense Um estudo apresentado pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) à bancada catarinense em Brasília alertou para potenciais efeitos negativos de uma proposta de redução da jornada semanal de trabalho em Santa Catarina de 44 horas para 40 horas, sem redução de salário. A análise aponta que a mudança poderia elevar em quase 10% o custo do trabalho no estado e gerar impactos significativos na economia regional. Segundo a FIESC, a alteração da jornada poderia resultar na extinção de cerca de 41,4 mil vagas de trabalho nos próximos dois anos, sendo aproximadamente 19,1 mil dessas perdas apenas no setor industrial, tradicionalmente forte em Santa Catarina. Os setores de alimentos e madeira são exemplos de indústrias que seriam fortemente impactadas. “São grandes empregadoras e exportam boa parte de sua produção, enfrentando concorrência pesada no exterior. Por isso, são sensíveis a preços e contam com pouco espaço para absorver aumentos de custos como os que seriam provocados pela redução da jornada sem redução de salários”, considera o presidente da FIESC, Gilberto Seleme. O estudo mostra o efeito negativo para diversas cadeias produtivas importantes para a pauta de exportações de SC e projeta uma queda de 1,07% nas exportações do estado, com destaque para carne de aves (-3,3%) e carne suína (-3,1%), além de recuo de 2,6% nas vendas externas de madeira bruta e de 2,4% nas de produtos de madeira. Aumento de custos e impactos na competitividade O estudo indica que o custo do trabalho subiria cerca de 9,7%, o que pode prejudicar a competitividade das empresas catarinenses, especialmente em segmentos intensivos em mão de obra e fortemente ligados às exportações, como os setores de alimentos e madeira. Além disso, a projeção aponta para uma queda de 1,07% nas exportações do estado, com recuos esperados em produtos como carne de aves e suína, além de madeira e derivados. O presidente da FIESC, Gilberto Seleme, destacou durante a apresentação que a discussão sobre redução da jornada “não pode ser feita de maneira apressada, pois as consequências são de grande relevância”. Segundo ele, os setores mais sensíveis à concorrência internacional podem sofrer ainda mais com o aumento de custos e redução da competitividade. Queda no PIB e mudanças no mercado de trabalho O estudo também projeta um impacto negativo no Produto Interno Bruto (PIB) de Santa Catarina, com uma possível retração de 0,6% nos próximos dois anos, refletindo não só uma diminuição nas vendas externas, mas também perda de competitividade no mercado interno. Especialistas envolvidos na análise destacam que, caso os custos aumentem sem ganhos equivalentes de produtividade, empresas podem buscar automação e redução de contratação, levando à diminuição de postos de trabalho. Posicionamento político Durante o encontro com parlamentares catarinenses, o coordenador do Fórum Parlamentar Catarinense, deputado Ismael dos Santos, afirmou que a proposta de redução da jornada sem flexibilização pode ser eleitoreira e inviável no momento atual, reforçando a necessidade de ampliar o debate antes de qualquer mudança definitiva. === Com informações e foto: Divulgação/FIESC