Rede municipal de saúde já mantém cinco grupos em funcionamento e prepara novas turmas para setembro; tratamento reúne acompanhamento psicológico, medicamentos e troca de experiências entre participantes
E se o próximo cigarro fosse o último?
Para muita gente, essa decisão parece simples quando dita em voz alta — mas, na prática, pode ser uma das escolhas mais difíceis de manter. É justamente para quem quer tentar, mas sabe que sozinho pode ser mais complicado, que Chapecó está ampliando o atendimento do Programa Municipal de Combate ao Tabagismo.
Atualmente, quatro grupos funcionam em Unidades de Saúde e outro é realizado na Secretaria Municipal de Saúde. E a rede prepara mais uma ampliação: cinco novos grupos devem começar a partir de setembro, aumentando as oportunidades para quem quer abandonar o cigarro e precisa de acompanhamento.
A procura pelo programa cresceu, especialmente no período posterior à pandemia. De acordo com a farmacêutica Daniela Guasque Otto, coordenadora municipal do Programa de Tabagismo, a maior demanda reforçou a necessidade de ampliar o atendimento coletivo.
E há uma razão importante para apostar nesse formato: ninguém precisa enfrentar sozinho o processo de parar de fumar.
NÃO É SÓ “TER FORÇA DE VONTADE”
O tratamento oferecido pela rede municipal combina acompanhamento psicológico e suporte medicamentoso. A abordagem utiliza técnicas cognitivo-comportamentais e, quando indicado, pode contar com medicamentos e produtos para auxiliar no controle da dependência de nicotina, como adesivos, gomas e bupropiona.
Mas existe outro componente que pode fazer diferença: estar ao lado de pessoas que estão passando pelo mesmo desafio.
Nos encontros, os participantes podem compartilhar dificuldades, experiências e estratégias para lidar com a vontade de fumar. Para as equipes de saúde, o formato coletivo também permite ampliar o número de pessoas acompanhadas e fortalecer o vínculo durante o tratamento.
Em outras palavras: não se trata apenas de apagar o cigarro. É aprender a viver sem ele.
CHAPECÓ JÁ REUNIU DEZENAS DE PESSOAS EM 2026
A mobilização deste ano já mostrou o tamanho da procura.

Fotos: Ascom SMS-Pref. de Chapecó/Divulgação
No primeiro semestre, Chapecó realizou a terceira edição do Mutirão de Combate ao Tabagismo, no Centro de Eventos, reunindo aproximadamente 90 usuários de diferentes regiões do município.
Em março, outra iniciativa reuniu 84 participantes logo no primeiro encontro, realizado no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes.
O grupo iniciou um ciclo de acompanhamento que se estendeu por pouco mais de três meses, com dez encontros. As reuniões começaram semanalmente e, posteriormente, passaram a ser realizadas de forma quinzenal.
O calendário incluiu encontros entre março e junho, permitindo que os participantes tivessem acompanhamento contínuo durante o processo de mudança.
UMA DECISÃO QUE PODE COMEÇAR COM UM PASSO
O Dia Nacional e Municipal de Combate ao Fumo, celebrado neste sábado (29), chega justamente em um momento em que Chapecó amplia as portas de entrada para quem deseja abandonar o cigarro.
E talvez a principal mensagem da data seja justamente esta: pedir ajuda não é sinal de fraqueza. É uma estratégia.
Quem deseja participar deve procurar a Unidade Básica de Saúde de referência, fazer a inscrição e aguardar a formação dos novos grupos.
As próximas turmas previstas para setembro podem representar uma nova oportunidade para quem já tentou parar outras vezes, para quem ainda está criando coragem ou para quem simplesmente decidiu que não quer mais que o cigarro determine sua rotina.
Porque, no fim das contas, parar de fumar não precisa começar com uma promessa impossível. Pode começar com uma visita à unidade de saúde. E, quem sabe, com uma decisão simples: “Eu vou buscar e aceitar ajuda.”


