Produção de arroz em SC pode ser afetada por exigência ambiental

Entidades agropecuárias alertam que a possível volta do licenciamento ambiental para o cultivo de arroz em Santa Catarina pode elevar custos e atingir pequenos produtores. TJSC deve analisar o tema nesta quarta-feira (21). Foto: Site SindArrozSC/Divulgação.

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Entidades do setor agropecuário alertam para aumento de custos e burocracia; julgamento no Tribunal de Justiça está previsto para quarta-feira (21).

Entidades representativas do agronegócio catarinense manifestaram preocupação com a possibilidade de retorno da exigência de licenciamento ambiental para o cultivo de arroz em Santa Catarina. O assunto será analisado pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), em julgamento previsto para quarta-feira (21).

A Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC), a Federação da Agricultura e Pecuária (FAESC), a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (FETAESC) e o Sindicato das Indústrias de Arroz (SindArroz-SC) alertam que a medida poderá aumentar os custos de produção, ampliar a burocracia e gerar insegurança jurídica.

Santa Catarina é o segundo maior produtor de arroz do Brasil. Na safra 2024/2025, foram produzidas 1,3 milhão de toneladas, em aproximadamente 145 mil hectares distribuídos por 83 municípios. A atividade envolve 5.916 estabelecimentos rurais, sendo cerca de 82% pertencentes a pequenos produtores e agricultores familiares.

Preocupação com os custos

Segundo as entidades, a rizicultura já está sujeita a mecanismos de controle ambiental, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), a outorga para utilização da água e o receituário agronômico.

O setor argumenta que uma nova exigência de licenciamento poderá representar despesas adicionais com estudos, documentos e taxas, além de dificultar o planejamento das safras e o acesso ao crédito rural.

As organizações também avaliam que o aumento dos custos poderá desestimular produtores, reduzir a produção e provocar reflexos nos preços do arroz ao consumidor. Esses impactos, entretanto, são apontados como riscos potenciais, não como consequências já verificadas.

Decisão na Justiça

O julgamento envolve uma ação do Ministério Público de Santa Catarina que questiona a dispensa de licenciamento para atividades relacionadas ao cultivo irrigado por inundação e à construção de canais de irrigação.

As entidades defendem que a decisão considere os instrumentos ambientais já existentes e estabeleça critérios técnicos que conciliem a proteção do meio ambiente com a continuidade da produção.

O setor ressalta que a discussão não envolve a eliminação da fiscalização ambiental, mas a necessidade de evitar a sobreposição de exigências e garantir segurança jurídica aos agricultores.