PLANO SAFRA 2026/2027 TEM RECORDE DE RECURSOS, MAS LIDERANÇAS DO COOPERATIVISMO ALERTAM PARA DESAFIOS

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Representantes do setor avaliam que redução no crédito para custeio e falta de fortalecimento do seguro rural podem comprometer a produção agropecuária

O anúncio do Plano Safra 2026/2027, com R$ 610,3 bilhões destinados ao financiamento da agropecuária brasileira, foi recebido com cautela por lideranças do cooperativismo. Apesar de ser o maior volume de recursos já anunciado para o setor, representantes de entidades avaliam que o programa ainda apresenta fragilidades importantes.

Do total previsto, R$ 525,1 bilhões serão destinados à agricultura empresarial e R$ 97,3 bilhões à agricultura familiar. Entre os pontos considerados positivos estão a redução das taxas de juros para programas voltados às cooperativas, ampliação dos limites de financiamento e incentivo a projetos de energia renovável. Por outro lado, dirigentes do setor alertam para a redução dos recursos destinados ao custeio da produção, a diminuição dos investimentos em programas voltados às cooperativas e, principalmente, a falta de uma política mais robusta para o seguro rural.

O presidente do Sistema OCESC, Vanir Zanatta, afirmou que o Plano Safra continua sendo um importante instrumento de crédito, mas considera que o programa não enfrenta problemas estruturais do campo, como o elevado endividamento dos produtores e a necessidade de ampliar a proteção contra perdas causadas por eventos climáticos.

Na mesma linha, o presidente da Fecoagro, Arno Pandolfo, destacou que o aumento dos recursos não representa crescimento real da capacidade de financiamento, já que ficou abaixo da inflação acumulada. Segundo ele, a ausência de um seguro rural mais eficiente preocupa ainda mais diante das frequentes adversidades climáticas.

O presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, também demonstrou preocupação com a redução de 7,2% dos recursos destinados ao custeio, linha utilizada para aquisição de insumos e manutenção das atividades no campo. Para ele, a maior dependência de financiamentos com juros de mercado pode dificultar o acesso ao crédito pelos produtores.

Na avaliação do gerente de Agronegócio do Sicoob Central SC/RS, Paulo Vitor Sangaletti, o Plano Safra melhora o ambiente de financiamento, mas ainda deixa de avançar em questões consideradas essenciais, como gestão de risco, seguro rural, renegociação de dívidas e fortalecimento da competitividade do agronegócio brasileiro.

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Foto: Sistema OCESC/Divulgação