PARAJASC PROMOVE DEBATE SOBRE INCLUSÃO, CLASSIFICAÇÃO ESPORTIVA E MERCADO DE TRABALHO

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Ciclo de palestras reuniu mais de 100 participantes e aproximou atletas, técnicos, dirigentes e especialistas durante a etapa estadual da competição

O esporte como ferramenta de inclusão, desenvolvimento e transformação social esteve no centro de um ciclo de palestras realizado durante a etapa estadual da 19ª edição dos Jogos Abertos Paradesportivos de Santa Catarina (Parajasc). A programação, realizada na última sexta-feira (21), reuniu mais de 100 atletas, técnicos e dirigentes para uma manhã de troca de experiências e atualização sobre diferentes aspectos do paradesporto.

Mais do que apresentar informações técnicas, o encontro colocou em discussão situações vivenciadas diariamente por atletas e profissionais que trabalham com o esporte paralímpico, abordando temas como classificação esportiva, acessibilidade, inclusão e oportunidades para pessoas com deficiência.

CLASSIFICAÇÃO ESPORTIVA EM DEBATE

Um dos temas apresentados foi a classificação esportiva, processo fundamental para garantir condições de equilíbrio e competitividade nas disputas do paradesporto.

O assunto foi abordado por João Borges, profissional de Educação Física e supervisor de Classificação Esportiva do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). Com experiência na área e formação em Natação e Atividades Aquáticas, ele apresentou informações sobre o trabalho desenvolvido pelo CPB e as atualizações relacionadas aos processos de classificação dos atletas.

A professora Karla Costa de Liz também contribuiu para o debate. Mestre em Educação Física pela UFSC, classificadora nacional de Bocha Paralímpica e Futebol para Paralisia Cerebral e sócia-fundadora do Instituto Viva Paradesporto, ela possui experiência em competições estaduais, nacionais e internacionais.

Karla integrou a equipe técnica de Classificação Funcional dos Jogos Paralímpicos Rio 2016 e, ao longo da carreira, também atuou na gestão do paradesporto e no ensino superior. Atualmente, participa da Câmara da Pessoa com Deficiência do CREF-SC e coordena o Paradesporto da Associação Amor pra Down.

EXPERIÊNCIA DE QUEM VIVE O ESPORTE

A programação ganhou um momento especial com o depoimento do paratleta Bruno Becker da Silva, da natação de Rio do Sul.

Fotos: Ascom Pref. Mun. Chapecó-Parajasc/Divulgação

Medalhista em campeonatos mundiais e nos Jogos Pan-Americanos, Bruno foi finalista nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020 e Paris 2024. Ao conversar com os participantes, compartilhou experiências acumuladas ao longo da carreira e falou sobre conquistas, desafios e os caminhos percorridos até chegar ao alto rendimento.

O relato aproximou a discussão técnica da realidade vivida pelos próprios atletas, mostrando os desafios existentes dentro e fora das competições.

PARADESPORTO E MERCADO DE TRABALHO

Outro tema levado aos participantes foi a inserção das pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

A juíza do Trabalho da 3ª Vara de Chapecó, Dra. Vera Marisa Vieira Ramos, apresentou informações relacionadas ao projeto de lei aprovado em Chapecó que estabelece novas perspectivas na relação entre pessoas com deficiência e empregadores.

A discussão ampliou o alcance do encontro, mostrando que o debate sobre inclusão vai além das quadras, piscinas e demais locais de competição. A participação social e as oportunidades profissionais também fazem parte dos desafios enfrentados pelas pessoas com deficiência.

CONHECIMENTO PARA ALÉM DA COMPETIÇÃO

Para a organização do Parajasc, iniciativas como essa contribuem para qualificar quem atua diretamente no esporte e ampliar a compreensão sobre as diferentes dimensões do paradesporto.

A atividade foi coordenada pelo presidente da Comissão Central Organizadora (CCO) do Parajasc, Mário Tomasi, e mediada pelo diretor da Secretaria de Esportes e Juventude, Tiago Breitembach, e por Willian Scheffer, gerente de Esporte de Participação da Fesporte e coordenador-geral do Parajasc.

O encontro reforçou que o desenvolvimento do paradesporto passa não apenas pela preparação esportiva, mas também pela formação de profissionais, pela atualização de conhecimentos e pela construção de ambientes cada vez mais acessíveis e inclusivos.