Estado já recebeu 22,8 mil doses da vacina nacional de dose única; estratégia prioriza trabalhadores da linha de frente do SUS
O Ministério da Saúde iniciou a vacinação contra a dengue para profissionais da Atenção Primária à Saúde em todo o país. Em Santa Catarina, a estratégia deve contemplar 52,7 mil trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS). As primeiras 22,8 mil doses já foram enviadas ao estado, com novas remessas previstas nas próximas semanas. No Brasil, 650 mil doses foram distribuídas nesta etapa inicial, dentro de um total de 3,9 milhões adquiridas pelo governo federal.
A campanha utiliza a vacina brasileira contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan. O imunizante é tetraviral, de dose única e 100% nacional, com proteção contra os quatro sorotipos do vírus. A eficácia é de 74,7% contra casos sintomáticos em pessoas de 12 a 59 anos e de 89% contra formas graves da doença. A prioridade inicial contempla médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde, agentes de combate às endemias e demais profissionais que atuam nas Unidades Básicas de Saúde.
Além das equipes assistenciais, trabalhadores administrativos e de apoio das unidades também estão incluídos no público-alvo. A ampliação para a população geral, entre 15 e 59 anos, está prevista para o segundo semestre, conforme aumento da capacidade produtiva. O Ministério da Saúde firmou parceria internacional para transferência de tecnologia à empresa chinesa WuXi Vaccines, o que pode elevar a produção em até 30 vezes.
O desenvolvimento da vacina contou com investimento de R$ 130 milhões do BNDES e integra os aportes do Novo PAC Saúde, que prevê R$ 1,3 bilhão para modernização da estrutura do Instituto Butantan. O SUS também mantém a oferta da vacina do laboratório japonês para adolescentes de 10 a 14 anos, aplicada em duas doses. Desde 2024, mais de 7,8 milhões de doses já foram aplicadas no país.
Mesmo com a queda de 74% nos casos de dengue em 2025 na comparação com 2024 (de 6,5 milhões para 1,7 milhão de casos prováveis) o Ministério da Saúde reforça a importância da prevenção. O número de mortes também recuou 72%, passando de 6,3 mil para 1,7 mil óbitos. A orientação é manter as ações de eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti, além do uso de inseticidas e testes rápidos, como parte da estratégia de controle da doença.
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