Das primeiras corridas aos grandes nomes do automobilismo: mostra resgata histórias, troféus e registros raros de uma paixão que atravessa gerações em Chapecó, incluindo o título brasileiro conquistado por Ayrton Senna em 1980
Entre fotografias antigas, troféus, documentos e objetos preservados ao longo de décadas, a mostra conduz o visitante por uma viagem que começa nas primeiras corridas realizadas em Chapecó, passa por pistas de terra, grandes pilotos, conquistas históricas e chega aos projetos que apontam para o futuro do esporte a motor no município.
E há um detalhe capaz de transformar essa viagem em algo ainda mais especial: Ayrton Senna está nessa história.

A exposição foi aberta nesta terça-feira (18), às 19h, na Galeria Municipal de Arte Neocy Fin, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes. A solenidade reuniu autoridades, pilotos, dirigentes e pessoas que ajudaram a construir, ao longo de mais de 60 anos, a trajetória do automobilismo chapecoense.
UMA FOTOGRAFIA QUE GANHOU OUTRO SIGNIFICADO
Em meio ao acervo, um registro chama a atenção.
A fotografia mostra um jovem Ayrton Senna recebendo o troféu de campeão brasileiro de kart. A entrega foi feita pelo então prefeito Milton Sander, em Chapecó.
A cena aconteceu em 15 de janeiro de 1980, quando Senna tinha apenas 19 anos.
Naquele momento, ele ainda era um piloto em formação. O mundo ainda não conhecia o tricampeão mundial de Fórmula 1, o homem que se tornaria um dos maiores ídolos do esporte brasileiro.
Mas Chapecó já fazia parte dessa história.
Senna competiu com o kart número 16 e conquistou na cidade o Campeonato Brasileiro de Kart. O acervo da exposição preserva, além da fotografia, uma ficha do Júnior Kart Clube de Chapecó com a assinatura do piloto.

Fotos: Luciano da Luz-Prefeitura de Chapecó/Divulgação
São documentos que, décadas depois, ganharam um valor que vai muito além do papel.
Eles registram o momento em que um dos maiores nomes do automobilismo mundial ainda construía sua trajetória.
O QUE ACONTECEU DEPOIS TODO MUNDO CONHECE
Oito anos depois daquela conquista em Chapecó, Ayrton Senna seria campeão mundial de Fórmula 1 pela McLaren, em 1988.
Depois vieram os títulos de 1990 e 1991.
Ao longo da carreira na Fórmula 1, foram 41 vitórias e 65 pole positions, além dos três campeonatos mundiais.
Senna morreu em 1º de maio de 1994, durante o Grande Prêmio de San Marino, em Ímola, na Itália, aos 34 anos.
Por isso, olhar hoje para aquela imagem de 1980 produz um efeito diferente.
É possível enxergar, naquele jovem piloto que comemorava uma conquista em Chapecó, o início de uma trajetória que anos depois seria acompanhada pelo mundo inteiro.
MAS A HISTÓRIA NÃO COMEÇA EM SENNA
E essa talvez seja uma das grandes riquezas da exposição.
Ayrton Senna é um dos capítulos mais conhecidos, mas não é o começo — e tampouco o fim — da história.
O automobilismo chapecoense começou a construir suas raízes ainda na década de 1960.
A mostra recupera registros das primeiras competições, da criação do Automóvel Clube de Chapecó, dos antigos autódromos de terra e da trajetória do Júnior Kart Clube de Chapecó.

São histórias de uma época em que as estruturas eram diferentes, mas a paixão era a mesma.
Pilotos, mecânicos, dirigentes, equipes e torcedores ajudaram a transformar as corridas em parte da identidade esportiva da cidade.
Cada fotografia e cada troféu ajudam a contar um pouco dessa construção.
CHAPECÓ TAMBÉM DEIXOU SUA MARCA NA FÓRMULA 1
A relação com o automobilismo de alto nível não ficou restrita ao kart.
Outro capítulo lembrado pela exposição é a participação de Chapecó na Fórmula 1 por meio do patrocínio da Chapecó Alimentos ao piloto Christian Fittipaldi.

É mais uma conexão entre a cidade e a principal categoria do automobilismo mundial.
A exposição, portanto, vai formando uma linha do tempo: das primeiras corridas e pistas de terra ao kart, da passagem de Senna à ligação com a Fórmula 1 e, mais recentemente, aos projetos voltados para novas estruturas automobilísticas.
O PASSADO OLHA PARA O FUTURO
Depois de relembrar o que já foi vivido, a mostra também aponta para aquilo que ainda pode acontecer.
Entre os registros estão os projetos do Kartódromo Internacional e do Autódromo Internacional de Chapecó.
A presença desses empreendimentos na exposição reforça uma ideia importante: preservar a memória não significa viver no passado.
Significa reconhecer o caminho percorrido para entender onde é possível chegar.
O automobilismo de Chapecó passou pelas pistas de terra, ganhou organização, revelou pilotos, recebeu grandes competições e chegou a ter uma conexão direta com a Fórmula 1.

Agora, novos projetos buscam manter essa trajetória em movimento.
OITO HISTÓRIAS QUE MERECEM SER LEMBRADAS
A abertura também foi marcada pela homenagem a oito pessoas que contribuíram, em diferentes momentos, para o desenvolvimento e a preservação do automobilismo no município.
Plínio David de Nes Filho foi lembrado pela trajetória como campeão brasileiro de Marcas de 1966 e pela participação pioneira no automobilismo chapecoense. Conforme o registro apresentado na solenidade, foi o primeiro piloto de Chapecó a competir em uma pista asfaltada.
Valdir Moratelli, presidente do Automóvel Clube de Chapecó, recebeu homenagem pela participação na implantação e conclusão do primeiro autódromo asfaltado de Santa Catarina e pela contribuição ao desenvolvimento do automobilismo no Estado.
Hian José Pereira, representante do Júnior Kart Clube, foi reconhecido pelo trabalho relacionado ao projeto do novo Kartódromo Internacional de Chapecó e por iniciativas voltadas à continuidade da modalidade, incluindo uma escolinha de kart para crianças e adolescentes.
Felipe Tozzo foi homenageado pela trajetória como piloto chapecoense e pelos títulos conquistados em diferentes categorias.
Eduardo Moratelli, vice-presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo, recebeu reconhecimento pela trajetória como piloto e dirigente e pela participação em iniciativas ligadas ao automobilismo de Chapecó.
André Moratelli foi homenageado pela trajetória como piloto e diretor do Automóvel Clube Chapecó e pela atuação no desenvolvimento das competições.
Luiz Fellipe de Quadros Belusso recebeu homenagem pelo trabalho que tornou possível a realização da exposição e pela dedicação à preservação e divulgação da história do automobilismo e da cultura de Chapecó.
O prefeito Valmor Júnior Scolari também foi homenageado pelo incentivo e apoio ao desenvolvimento do automobilismo e dos esportes a motor no município.
Nem todos os homenageados puderam participar da solenidade, em razão de compromissos de agenda ou questões de saúde.
UMA HISTÓRIA QUE AINDA ESTÁ SENDO ESCRITA
No fim, a exposição entrega ao visitante muito mais do que uma coleção de objetos antigos.
Ela mostra que a história do automobilismo de Chapecó foi construída por pessoas.
Pessoas que correram, prepararam carros e karts, organizaram competições, construíram pistas, apoiaram pilotos e, principalmente, acreditaram que a cidade poderia ocupar um espaço cada vez maior no cenário do esporte a motor.
E talvez seja por isso que aquela fotografia de Ayrton Senna em 1980 tenha tanto peso.

Porque hoje sabemos quem ele se tornou.
Mas, naquela imagem, ainda era apenas um jovem de 19 anos comemorando um título brasileiro em Chapecó. Visite a exposição e veja pessoalmente esse resgate histórico do automobilismo e sinta a emoção sobre quatro rodas.
Mais de seis décadas depois, a cidade abre novamente essa caixa de memórias e mostra que, muito antes dos grandes troféus e dos holofotes internacionais, já havia aqui uma história de velocidade sendo construída. Uma história que ainda não terminou.
A exposição “Entre a Memória e o Sonho: História da Velocidade em Chapecó” está na Galeria Municipal de Arte Neocy Fin, dentro do Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, na Rua Assis Brasil, 20D, Centro de Chapecó. A abertura foi em 18 de agosto, às 19h.
Para a visitação, o horário divulgado pela Prefeitura para a Galeria Neocy Fin é, em geral:
- Segunda a sexta-feira
- 8h30 às 11h30
- 13h30 às 17h
- Entrada gratuita
Há registro oficial da Prefeitura indicando esse horário para visitação da galeria, com a ressalva de que em dias de eventos o horário pode ser diferente.
Endereço: Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes — Rua Assis Brasil, 20D, Centro, Chapecó.

