HENRIQUE PAZ: DO DESAFIO ÀS MEDALHAS, NADADOR CHAPECOENSE ALMEJA PARALIMPÍADA

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Aos 17 anos, atleta já acumula mais de 20 medalhas em três anos de competições e vem construindo uma trajetória marcada por superação, dedicação e grandes resultados

Há quem enxergue limites. Henrique Gabriel Paz prefere enxergar possibilidades. Aos 17 anos, o nadador chapecoense já transformou a paixão pelo esporte em uma trajetória de conquistas que chama atenção dentro e fora de Santa Catarina.

Em apenas três anos de competições, Henrique já conquistou mais de 20 medalhas. E os resultados mais recentes mostram que o atleta está em plena evolução. No Meeting Paralímpico, realizado em Florianópolis, voltou para Chapecó com cinco medalhas de ouro e uma de prata, em cinco provas disputadas.

Nos PARAJASC, Henrique já participou de três edições e medalhou em todas. O desempenho também ultrapassa as fronteiras de Santa Catarina. No ano passado, nas Paralimpíadas Escolares, realizadas no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, conquistou uma medalha de ouro, duas de prata e duas de bronze.

Mas antes das medalhas, dos pódios e das viagens, existia apenas uma criança que precisava encontrar no esporte uma maneira de ganhar mais autonomia.

A NATAÇÃO COMEÇOU COMO NECESSIDADE

Henrique nasceu com ausência dos membros superiores. Aos quatro ou cinco anos, por recomendação médica, começou a nadar como uma forma de auxiliar na mobilidade e nas atividades do dia a dia. O que começou como uma necessidade acabou se transformando em paixão.

“Eu gosto muito de fazer natação. Mas também faço corrida de rua, jogo tênis de mesa, futsal e ando de bicicleta. Gosto muito de fazer esporte”, conta Henrique.

A versatilidade sempre esteve presente. Henrique experimentou diferentes modalidades, mas foi dentro da piscina que encontrou o caminho para o alto rendimento.

UM ENCONTRO QUE MUDOU A HISTÓRIA

A oportunidade surgiu há cerca de quatro anos, durante um evento escolar realizado no Verdão, em Chapecó.

Henrique participava das atividades e jogava tênis de mesa quando chamou a atenção de uma professora. Ela perguntou se ele teria interesse em disputar competições representando a modalidade. Henrique explicou que já praticava natação. A conversa abriu uma porta.

Ele foi encaminhado aos professores de natação e, pouco tempo depois, começou a treinar com foco em competição e a representar Chapecó.

A partir daquele momento, o esporte deixou de ser apenas uma atividade física e passou a ocupar um espaço cada vez maior na vida do adolescente.

DA PISCINA DE CHAPECÓ PARA O BRASIL

Com as competições vieram também as viagens, novos desafios e experiências que ajudaram a ampliar os horizontes do atleta. Henrique já esteve em cidades como Blumenau, Videira, Florianópolis e São Paulo. Entre todas as experiências, uma das mais marcantes aconteceu no Centro de Treinamento Paralímpico, na capital paulista.

O local impressionou o atleta não apenas pelo tamanho, mas pela oportunidade de estar próximo de referências do esporte paralímpico brasileiro.

“Lá é enorme, foi muito legal a experiência, conhecer pessoas. Tirei fotos com famosos que me inspiro, como o Samuka, que representa o Brasil. Tive oportunidade de vê-lo treinar. Consegui ampliar minha visão e me desenvolver bastante lá”, lembra.

Cada viagem passou a representar mais do que uma competição. São experiências que ajudam Henrique a entender onde pode chegar.

O SONHO QUE VAI ALÉM DAS MEDALHAS

Agora, aos 17 anos, Henrique sabe que os próximos passos exigem ainda mais dedicação. A rotina inclui treinos, academia e acompanhamento nutricional. O objetivo imediato é ter um bom desempenho nos PARAJASC e nas próximas competições nacionais. Mas o sonho é muito maior.

Henrique quer transformar a natação em profissão e chegar a uma Paralimpíada.

“Estou me dedicando todos os dias, treinando, indo na academia, seguindo nutricionista, para dar o meu melhor. Minha meta é ir bem nos PARAjasc e em mais duas ou três competições em São Paulo. No futuro quero que a natação seja uma forma de trabalho. Meu foco é me profissionalizar na natação. Estou me dedicando para chegar lá (Paralimpíada)”, afirma.

Aos poucos, os resultados começam a dar forma ao sonho. São medalhas estaduais, conquistas nacionais, viagens, novos desafios e, principalmente, a certeza de que cada treino pode aproximá-lo do objetivo.

Henrique não ignora as dificuldades. Ele simplesmente não permite que elas definam até onde pode chegar.

A piscina, que um dia entrou na vida dele como uma recomendação para melhorar a mobilidade, hoje representa muito mais: é o lugar onde um jovem atleta constrói, braçada após braçada, o caminho para realizar um sonho olímpico.

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Foto: Ascom-Parajasc-PMC/Divulgação