FLÁVIO BOLSONARO É FILIADO AO MISSÃO SEM AUTORIZAÇÃO E CASO ABRE INVESTIGAÇÃO SOBRE POSSÍVEL FRAUDE

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Partido Missão afirma que gabinete do senador foi avisado sobre tentativa de filiação ainda no dia 2 de agosto; registro no sistema eleitoral impediu temporariamente candidatura pelo PL

O senador Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal à Presidência da República, apareceu no sistema da Justiça Eleitoral como filiado ao Partido Missão, sem que, segundo sua equipe, tivesse autorizado a mudança. O episódio provocou um impasse no registro da candidatura e abriu uma investigação para esclarecer quem realizou a operação e como ela foi efetivada.

A situação ganhou um elemento novo nesta quinta-feira (13), depois que o Partido Missão afirmou que o gabinete de Flávio Bolsonaro já havia sido informado sobre uma tentativa de filiação considerada fraudulenta no dia 2 de agosto. Segundo a legenda, o próprio sistema partidário identificou uma movimentação suspeita naquele momento. O Missão afirma que tentou cancelar a filiação e também comunicou o gabinete do senador por e-mail. De acordo com o partido, as mensagens foram enviadas no dia 2 de agosto, mas não teriam recebido resposta.

A questão, porém, voltou a aparecer no sistema eleitoral dias depois. Conforme o cadastro da Justiça Eleitoral, Flávio Bolsonaro foi registrado como filiado ao Missão em 12 de agosto, com a consequente desfiliação do PL. A alteração impediu inicialmente que sua candidatura à Presidência fosse registrada pelo Partido Liberal.

O problema ocorreu porque o Missão já possui candidato à Presidência da República, Renan Santos. Com Flávio aparecendo oficialmente como integrante da legenda, o sistema eleitoral não permitia naquele momento o registro da candidatura presidencial pelo PL.

A equipe de Flávio Bolsonaro classificou o episódio como fraude e pediu a investigação dos responsáveis. O senador sustenta que não autorizou a filiação e que sua intenção permanece sendo disputar a Presidência pelo Partido Liberal. O Partido Missão também nega ter interesse na filiação de Flávio e afirma ter sido vítima da mesma tentativa de fraude. A legenda declarou que pretende colaborar com as investigações e disponibilizar informações técnicas, como registros de acesso, endereços de IP, e-mails e logs, para ajudar na identificação de quem realizou a operação.

O Tribunal Superior Eleitoral informou que não houve invasão hacker ao sistema da Justiça Eleitoral. Segundo o tribunal, a filiação foi registrada por meio de credenciais oficiais pertencentes a uma pessoa autorizada a operar o sistema em nome do partido Missão. A suspeita, portanto, está relacionada ao eventual uso indevido dessas credenciais.

A partir dessa informação, a investigação deverá esclarecer uma das principais questões do caso: quem utilizou as credenciais autorizadas para efetivar a filiação de Flávio Bolsonaro e com qual finalidade. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou o encaminhamento do caso para investigação pela Procuradoria-Geral Eleitoral e pela Polícia Judiciária.

Ainda nesta quinta-feira, Nunes Marques determinou o restabelecimento da filiação de Flávio Bolsonaro ao PL. A decisão considerou, entre outros pontos, que o senador vinha sendo apresentado publicamente como pré-candidato à Presidência pelo partido e que a filiação ao Missão era incompatível com essa trajetória, especialmente porque a legenda já possui outro candidato ao Palácio do Planalto.

Com a decisão, Flávio volta a ter sua filiação ao PL reconhecida pela Justiça Eleitoral e pode dar continuidade ao processo de registro de sua candidatura. O prazo para registro das candidaturas termina neste sábado (15). O caso, no entanto, continua sob investigação. De um lado, Flávio Bolsonaro afirma ter sido vítima de uma filiação que não autorizou. De outro, o Partido Missão sustenta que também foi vítima de uma tentativa fraudulenta e afirma ter alertado o gabinete do senador ainda no início de agosto. E o TSE aponta que a operação foi realizada com credenciais oficiais de acesso ao sistema.

A apuração deverá esclarecer quem esteve por trás da movimentação e por que uma filiação que, segundo o Missão, já havia sido identificada como suspeita em 2 de agosto acabou aparecendo oficialmente no cadastro eleitoral dez dias depois.

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Imagem: Reprodução mídias sociais/Divulgação