ESTUDO APONTA AUMENTO DA TOXICIDADE DE AGROTÓXICOS NO MUNDO E COLOCA BRASIL ENTRE OS LÍDERES

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Pesquisa publicada na revista Science indica que país está distante da meta da ONU de reduzir riscos até 2030

O grau de toxicidade dos agrotóxicos aumentou em todo o mundo entre 2013 e 2019, segundo estudo publicado na revista Science. A pesquisa avaliou 625 pesticidas em 201 países e concluiu que a meta global de reduzir em 50% o risco dessas substâncias até 2030, estabelecida na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP15), está ameaçada.

O levantamento utilizou o indicador de Toxicidade Total Aplicada (TAT), que combina o volume utilizado e o grau de toxicidade de cada substância. Seis de oito grupos de espécies analisados apresentaram aumento consistente de exposição, com destaque para artrópodes terrestres, organismos do solo, peixes, invertebrados aquáticos, polinizadores e plantas terrestres. Apenas plantas aquáticas e vertebrados terrestres, grupo que inclui humanos, registraram leve redução.

O Brasil aparece entre os países com maior intensidade de toxicidade por área agrícola, ao lado de China, Argentina, Estados Unidos e Ucrânia. Juntos com Índia, esses países concentram entre 53% e 68% da toxicidade total aplicada no planeta. No caso brasileiro, o peso do agronegócio e de culturas extensivas, como soja, milho e algodão, contribui para o alto impacto ambiental em relação à área cultivada.

O estudo também aponta que o problema é concentrado: cerca de 20 pesticidas por país respondem por mais de 90% da toxicidade total aplicada. Inseticidas como piretroides, organofosforados e neonicotinoides dominam os impactos sobre invertebrados aquáticos, peixes e polinizadores. Herbicidas como acetoclor, paraquat e glifosato estão entre os mais associados a riscos ambientais e à saúde.

Ao analisar 65 países, os pesquisadores concluíram que apenas o Chile deve atingir a meta da ONU até 2030, se mantida a trajetória atual. O Brasil está entre as nações que precisam reduzir os níveis de toxicidade aos patamares de mais de 15 anos atrás. Entre as estratégias recomendadas estão a substituição de pesticidas altamente tóxicos, ampliação da agricultura orgânica e adoção de métodos não químicos, como controle biológico, diversificação agrícola e manejo mais preciso das lavouras.

Foto: Cenipa/Divulgação