Júnior Geremia deixou o salário fixo, enfrentou anos de trabalho intenso, precisou mudar de atividade e fez da persistência e da capacidade de se reinventar o caminho para ampliar renda e patrimônio
A vontade de construir algo próprio falou mais alto que a segurança de um salário fixo. Mas a decisão de mudar de vida não veio acompanhada de garantias, facilidades ou atalhos. Para Júnior Geremia, de Chapecó, empreender significou assumir riscos, trabalhar de segunda a segunda, atravessar mudanças no mercado e, em mais de um momento, reconhecer que era preciso mudar novamente.
Foi assim que uma trajetória iniciada em 2014, com cerca de R$ 2 mil e muita disposição para tentar, passou pelas vendas de roupas de porta em porta, por uma loja física, pelo uso planejado de crédito, por investimentos em imóveis e, mais recentemente, pelo setor de fretes.
Mais de uma década depois, Júnior olha para trás e vê não apenas crescimento financeiro, mas uma história construída sobre trabalho, decisões difíceis, erros evitados, oportunidades aproveitadas e capacidade de adaptação.
A inquietação de quem queria mais
Até 2014, Júnior tinha experiência nas áreas de Recursos Humanos e administrativa. A rotina era estável. O salário, na época, girava em torno de R$ 2 mil por mês. Para muitas famílias, estabilidade seria motivo suficiente para permanecer no mesmo caminho. Para ele, porém, existia a sensação de que era possível buscar algo maior.
Não se tratava apenas de ganhar mais. Havia o desejo de construir patrimônio, trabalhar por algo próprio e ampliar as possibilidades da família. A decisão exigiu coragem justamente porque não havia certeza de que daria certo.
Júnior deixou o emprego e colocou nas mãos da esposa, Ivani, o dinheiro que tinha disponível naquele momento. “Eu peguei meu acerto, na época R$ 2 mil, e dei na mão da minha mulher: ‘transforma esse dinheiro’. Ela viajou, comprou os R$ 2 mil em roupas e, em uma semana, transformamos em R$ 6 mil, vendendo de porta em porta”, recorda.
O começo foi na rua, de porta em porta
O primeiro resultado trouxe confiança, mas não eliminou o trabalho pesado. Antes de pensar em loja, estrutura ou expansão, o casal precisou vender diretamente para os clientes, bater de porta em porta, conquistar confiança e fazer o dinheiro girar.
Foi dessa maneira que Júnior e Ivani perceberam que havia mercado para crescer. Primeiro, montaram uma loja de roupas dentro de casa. Depois, conforme as vendas avançaram, investiram em um ponto no camelódromo, no centro de Chapecó.
O comércio sustentou a família durante cerca de oito anos. Ao mesmo tempo em que o negócio crescia, aumentavam também as responsabilidades. Empreender significava vender, comprar, controlar estoque, pagar contas, reinvestir e conviver com períodos melhores e piores.
Júnior e Ivani são pais de Luana, de 34 anos, Alana, de 29, e Grégory, de 18.
Crescer também exigiu buscar crédito
Foi ainda durante a fase do comércio que uma fornecedora apresentou ao casal a Credioeste. A primeira operação de crédito ocorreu em 2017, com recursos destinados à compra de mercadorias.
Depois vieram outras operações para capital de giro, reformas, ampliações e aquisição de estoque. Ao longo dos anos, foram 18 operações no total. Para Júnior, o crédito passou a fazer sentido justamente quando estava ligado a uma necessidade concreta do negócio e a uma expectativa de retorno.
Ele também destaca o relacionamento próximo com a instituição. “A taxa de juros é menor, o atendimento é ágil e prático e a facilidade é maior, sem burocracias. Vimos na Credioeste um incentivo, uma ajuda para dar o giro e manter o nosso negócio. Não tivemos em outra instituição uma ajuda como tivemos na Credioeste”, afirma.
O contato pessoal também passou a ser valorizado pelo casal. “Os bancos estão cada vez mais digitais, o que reduz a humanização e o contato. A gente gosta do atendimento presencial, de olhar no rosto, de se sentir acolhido. Esse atendimento é o diferencial da Credioeste.”

Nem todo negócio continua bom para sempre
O crescimento, porém, não significou que o caminho seria linear. Depois de anos dedicados ao comércio, Júnior e Ivani chegaram a outro momento decisivo. No período posterior à pandemia, o comportamento dos consumidores mudou, as vendas digitais ganharam ainda mais força e manter uma loja física deixou de oferecer as mesmas perspectivas.
Foi uma fase de escolha difícil. Persistir poderia significar consumir recursos em um modelo que já não entregava o mesmo resultado. Fechar significava abandonar uma atividade construída durante anos. O casal escolheu mudar. Mais uma vez, a trajetória exigiu capacidade de adaptação.
Recomeçar também faz parte de vencer
Júnior e Ivani redirecionaram os investimentos. Em vez de manter todos os recursos concentrados no comércio, passaram a investir em imóveis para locação e adquiriram um caminhão para trabalhar com fretes.
A rotina mudou completamente. Hoje, Júnior atua diretamente com o caminhão e os fretes. Ivani organiza a agenda do marido e administra três imóveis destinados à locação. O modelo é diferente daquele construído no comércio, mas continua essencialmente familiar.
A mudança também trouxe algo que durante anos foi escasso: tempo. “Valeu a pena. Por mais que durante muitos anos a gente tenha trabalhado de segunda a segunda, ganhávamos mais e conseguíamos investir no que era nosso. Hoje temos uma renda melhor e mais tempo pra nós”, avalia.
O resultado veio depois de anos de esforço
A construção de patrimônio não aconteceu de uma hora para outra. Foi resultado de sucessivos ciclos de trabalho, reinvestimento e mudança. Começou com R$ 2 mil. Passou pelas vendas de porta em porta. Chegou à loja. Exigiu estoque, reformas, capital de giro e longas jornadas de trabalho. Depois, o casal precisou reconhecer que aquela atividade já não oferecia o mesmo horizonte e começar praticamente uma nova etapa.
Para Júnior, essa experiência deixou uma lição clara: crédito sozinho não transforma um negócio. É preciso saber o que fazer com o recurso. “Se você não tem um objetivo claro, que é um investimento, o recurso que pegar vai virar apenas dívida. Investir é transformar o recurso em mais renda. É preciso ter visão, pé no chão, planejar e correr atrás”, resume.
Olhar para frente sem esquecer o caminho percorrido
Hoje, os investimentos do casal já carregam outra preocupação: o futuro. Depois de anos buscando crescimento, Júnior e Ivani passaram a estruturar fontes de renda que possam continuar gerando retorno mesmo quando diminuírem o ritmo de trabalho. “O nosso último investimento foi pensando na aposentadoria, em criar uma renda fixa para envelhecer melhor”, destaca. A história de Júnior não é a de um sucesso instantâneo.
É a história de quem trocou segurança por incerteza, enfrentou anos de trabalho intenso, percebeu quando era necessário abandonar um caminho, começou outro e seguiu investindo naquilo que poderia gerar novas oportunidades.
O patrimônio construído ao longo dessa trajetória é resultado visível. Mas, antes dele, vieram a vontade de mudar, o risco de tentar, a disciplina para continuar e a disposição para recomeçar quando o cenário exigiu. Para Júnior e Ivani, vencer não significou nunca encontrar dificuldades. Significou não permanecer paralisado diante delas.

