Entidades empresariais e do transporte defendem duplicação integral da BR-282, mais investimentos na BR-153 e revisão de pontos do projeto apresentado pelo Governo Federal
A audiência pública realizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) nesta terça-feira (9), em Chapecó, colocou novamente em pauta uma das maiores demandas históricas do Oeste catarinense: a modernização das rodovias federais que cortam a região. O encontro teve como objetivo apresentar o Programa de Exploração de Rodovias (PER) e os Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental referentes à futura concessão de trechos das BRs 153, 282, 470 e 480 em Santa Catarina.
O tema também foi debatido na manhã desta quarta-feira (10) no programa Chapecó Notícias – 1ª Edição, da Rádio Chapecó, com a participação do presidente do Centro Empresarial de Chapecó (CEC), Helon Rebelatto, e do presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga e Logística de Chapecó (Sitran) e vice-presidente da Fetrancesc, Ivalberto Tozzo.
As lideranças que participaram da audiência pública defenderam alterações importantes no projeto apresentado pela ANTT e pelo Ministério dos Transportes, especialmente em relação à BR-282, considerada a principal ligação do Oeste catarinense com o restante do Estado e com os grandes centros consumidores do país.
Em documento entregue à ANTT durante a audiência pública, o Centro Empresarial de Chapecó e diversas entidades representativas da região argumentam que a proposta atual não atende plenamente às necessidades do Oeste. A principal reivindicação é a duplicação integral da BR-282 no trecho contemplado pelo chamado Lote 3 da concessão.
Segundo as entidades, a rodovia possui papel estratégico para a economia catarinense, principalmente por ser utilizada diariamente para o transporte da produção agroindustrial, cargas, insumos, mercadorias e passageiros. O documento destaca que o intenso fluxo de veículos e o elevado número de acidentes registrados ao longo dos anos demonstram a necessidade urgente de investimentos mais robustos em infraestrutura e segurança viária.
A proposta defendida pelas lideranças prevê que o Governo Federal execute a duplicação dos 29,36 quilômetros inicialmente previstos no projeto e que a futura concessionária fique responsável pela duplicação do restante do trecho, totalizando aproximadamente 98,9 quilômetros.
Além disso, as entidades pedem prioridade absoluta para o trecho entre Chapecó e Irani, onde o fluxo diário chega a cerca de 16 mil veículos.
Outro ponto destacado pelas lideranças regionais é a preocupação com a segurança dos motoristas. A avaliação apresentada durante a audiência pública é de que muitos dos acidentes registrados na BR-282 estão relacionados à ausência de pistas duplicadas, à falta de separação física entre os sentidos de tráfego e às limitações da infraestrutura atual para suportar o crescimento constante da movimentação de veículos leves e pesados.
Para o setor produtivo, a duplicação integral da rodovia contribuiria para reduzir colisões frontais, melhorar a fluidez do trânsito e aumentar a segurança de motoristas, passageiros e transportadores.
As reivindicações apresentadas à ANTT não se limitam à BR-282. As entidades também pedem mais investimentos na BR-153, especialmente no trecho entre Concórdia e Porto União. A proposta encaminhada sugere a ampliação dos quilômetros contemplados com duplicação e a expansão das terceiras faixas para melhorar as condições de tráfego e reduzir os riscos de acidentes.
Outro pedido é que o entroncamento das BRs 282 e 153, em Irani, receba um projeto específico para construção de um trevo elevado com pista dupla, considerado fundamental para aumentar a segurança e a capacidade operacional da região.
Durante a audiência pública também foi defendida a instalação das futuras praças de pedágio fora dos perímetros urbanos dos municípios. A preocupação das entidades é evitar prejuízos aos moradores que utilizam diariamente as rodovias para deslocamentos curtos, especialmente trabalhadores que precisam se deslocar entre cidades vizinhas.
O documento entregue à ANTT argumenta que a localização das praças deve considerar a realidade das comunidades locais para evitar impactos econômicos e sociais.
Outro ponto levantado pelas lideranças empresariais é a situação da BR-480 no trecho entre Chapecó e o entroncamento com a BR-282. A proposta apresentada defende que esse segmento não faça parte da concessão federal por estar inserido em área urbana e possuir características distintas dos demais trechos rodoviários.
Segundo as entidades, a administração desse trecho poderia ser futuramente assumida pelo município de Chapecó.
O documento apresentado à ANTT foi assinado pelo Centro Empresarial de Chapecó e recebeu apoio de diversas entidades representativas do setor produtivo, entre elas Acic, Sitran, Fetrancesc, Facisc, Fiesc, OAB Chapecó, Observatório Social, Somar Oeste, Rotary Club e Cotraoca. As lideranças defendem que o Oeste catarinense é uma das regiões que mais contribuem para a economia de Santa Catarina e do Brasil, especialmente por meio da agroindústria, da produção rural, do transporte e da geração de empregos.
Para os representantes do setor produtivo, os investimentos em infraestrutura precisam acompanhar a importância econômica da região e garantir condições adequadas para o crescimento futuro.
Os detalhes da audiência pública, as reivindicações apresentadas à ANTT e as análises sobre o futuro das rodovias federais que cortam o Oeste catarinense foram debatidos durante o programa Chapecó Notícias – 1ª Edição. A entrevista contou com a participação de Helon Rebelatto, presidente do Centro Empresarial de Chapecó, e de Ivalberto Tozzo, presidente do Sitran e vice-presidente da Fetrancesc.
📺 Assista à íntegra da entrevista no YouTube da Rádio Chapecó:
https://youtu.be/b-3GNEjzrx0?t=6462
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Foto: Rádio Chapecó
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