Emissora entrou no ar em 1948, acompanhou as transformações de Chapecó e do Oeste catarinense e mantém no FM 100.1 uma história construída ao lado da comunidade
Nesta sexta-feira, 25 de setembro, o Brasil celebra o Dia Nacional do Rádio. A data, que durante décadas já era lembrada pelo setor de radiodifusão, passou a integrar oficialmente o calendário nacional com a Lei nº 15.101/2025. O dia foi escolhido em homenagem ao nascimento de Edgar Roquette-Pinto, em 25 de setembro de 1884, um dos pioneiros da radiodifusão brasileira e fundador, em 1923, da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, atual Rádio MEC.
No Oeste de Santa Catarina, falar sobre a história do rádio significa também contar uma parte importante da trajetória da Rádio Chapecó. Pioneira da radiodifusão regional, a emissora completa 78 anos em 2026 e atravessa gerações mantendo a informação, o esporte, a prestação de serviço, a música e a proximidade com a comunidade como elementos centrais de sua programação.
Uma história que começou em 1948
A origem da Rádio Chapecó remonta a 1948, quando foi constituída a Rádio Sociedade Oeste Catarinense Ltda., primeira emissora do Oeste catarinense e a 16ª instalada em Santa Catarina.
De acordo com o histórico mantido pela própria Rádio Chapecó, a empresa foi constituída em 13 de abril de 1948 e registrada na Junta Comercial em 19 de agosto daquele ano. A autorização para instalação veio pela Portaria nº 867, assinada em 11 de outubro.
Poucos dias depois, em 23 de outubro de 1948, a emissora entrou efetivamente no ar. O início das transmissões ocorreu com potência de 100 watts, prefixo ZYX-5 e frequência de 1.550 kHz. Naquele momento, começava uma relação entre rádio e comunidade que atravessaria as décadas seguintes.
Entre os nomes registrados na formação da emissora estão Vicente de Paula Cunha, Jacinto Manoel da Cunha, Protógenes Vieira, Raul José de Campos e Serafim Enoss Bertaso.
A família Bohner e uma nova etapa
Outro capítulo decisivo começou em novembro de 1953. Francisco Norberto Bohner, durante passagem pela região, soube que os sócios pretendiam vender a emissora. Ele adquiriu as cotas e assumiu a direção da rádio, contando com a colaboração da esposa, Augusta Müller Bohner.
A partir daquele período, a Rádio Chapecó acompanharia de perto uma região que crescia rapidamente e que ainda enfrentava grandes desafios de infraestrutura, comunicação e acesso aos serviços públicos.
O rádio tinha uma função que ia muito além do entretenimento. Era pelo aparelho instalado nas casas, estabelecimentos comerciais e comunidades do interior que muitas famílias recebiam notícias, avisos, informações de utilidade pública e acontecimentos de Chapecó, de Santa Catarina e do Brasil.
O microfone também ajudou a transformar a região
A própria história da emissora registra sua participação em mobilizações importantes para o desenvolvimento do Oeste.
A Rádio Chapecó esteve ligada a campanhas pela alfabetização de adultos, pelo asfaltamento da BR-282 e pela implantação do ensino superior na região. Também apoiou movimentos relacionados à construção da ponte sobre o Rio Uruguai, ligando Santa Catarina ao Rio Grande do Sul pelo Goio-Ên, e à implantação do Hospital Regional do Oeste.
Entre as mobilizações comunitárias aparecem ainda campanhas do agasalho, ações de preservação de parques, praças e jardins e o movimento pela criação da Fundação Universitária para o Desenvolvimento do Oeste Catarinense, a Fundeste, instituição que está na origem da atual Unochapecó.
Era o rádio funcionando como elo entre a população e as autoridades e, ao mesmo tempo, registrando as transformações de uma cidade que deixava gradualmente as características de pequeno núcleo urbano para assumir uma posição de referência regional.
Jornalismo e esporte fazem parte desse DNA
O jornalismo tornou-se uma das marcas da emissora. Ao longo das décadas, a Rádio Chapecó consolidou programas informativos e abriu seus microfones para notícias, entrevistas, debates, prestação de serviço e participação da comunidade.
O esporte também ocupa lugar central nessa trajetória. A emissora foi pioneira nas transmissões dos jogos da Associação Chapecoense de Futebol e acompanha o clube desde sua fundação, em 1973.
É uma relação que colocou o ouvinte dentro dos estádios durante diferentes gerações, transformando gols, títulos, derrotas e grandes jornadas esportivas em memória sonora do Oeste catarinense.
Outro programa que atravessou gerações é o Sertão em Festa, no ar desde 1976, mantendo a ligação da emissora com a música, os costumes e a identidade regional.
Da amplitude modulada aos 100.1 FM
Tecnologias mudaram, equipamentos foram substituídos e a maneira de consumir informação se transformou profundamente desde aquele primeiro sinal de 1948.
A Rádio Chapecó também acompanhou essa evolução.
Em 1950, a potência da emissora passou de 100 para 250 watts. Anos depois, um transmissor Telefunken de 1.000 watts ampliou sua estrutura. Em 1959 veio a autorização para operar na frequência de 1.340 kHz. Em novembro de 1969, os estúdios foram transferidos da avenida Getúlio Vargas para a rua Marechal Floriano Peixoto.
Décadas mais tarde viria uma das maiores mudanças tecnológicas de sua história.
Em 2020, a pioneira deixou definitivamente a transmissão em AM e passou a operar em FM, na frequência 100.1 MHz. Atualmente, as emissoras do Grupo Chapecó de Comunicação estão instaladas na Rua Israel, 2.085-D, nos altos do bairro Esplanada.
O rádio que também está no celular e na internet
A mudança, porém, não ficou restrita ao transmissor.
Hoje, aquilo que começou pelas ondas do rádio chega também ao público por site, aplicativo, redes sociais, transmissões em vídeo e outras plataformas digitais. O aparelho tradicional continua presente, mas divide espaço com celulares, computadores, automóveis conectados e dispositivos digitais.
Essa transformação também foi retratada pela própria emissora no vídeo “Rádio Chapecó 75 anos: sua amiga sempre!”, publicado em seu canal oficial no YouTube. A produção apresenta os 100.1 MHz como elo entre a Rádio Chapecó, a cidade e a região, preservando uma relação construída ao longo das décadas.
O meio mudou. A tecnologia avançou. Mas uma característica essencial continua a mesma: a capacidade do rádio de falar diretamente com o ouvinte.
78 anos fazendo parte da vida do Oeste
Em 2026, a Rádio Chapecó celebra 78 anos de história. A marca foi comemorada neste ano juntamente com os 109 anos do município, em uma programação especial realizada na Praça Coronel Bertaso, mantendo uma tradição de aproximar ainda mais a emissora da comunidade.
Ao longo de quase oito décadas, a Rádio Chapecó acompanhou o crescimento da cidade, as mudanças econômicas e sociais do Oeste, conquistas esportivas, grandes acontecimentos, momentos de alegria e também períodos difíceis.
Gerações mudaram diante dos microfones e também do outro lado do aparelho. O velho receptor de válvulas deu lugar ao transistor, ao rádio do carro, ao FM, ao smartphone e ao streaming.
A voz, porém, continua chegando ao ouvinte.
Neste Dia Nacional do Rádio, a história da Rádio Chapecó ajuda a mostrar por que esse meio de comunicação conseguiu atravessar tantas transformações sem perder sua identidade: porque, antes da tecnologia, o rádio sempre foi feito de pessoas falando com pessoas.
E há 78 anos essa história também é contada a partir do Oeste de Santa Catarina.
Rádio Chapecó — A Pioneira
FM 100.1
78 anos no ar | 1948–2026

