Busca por crédito cresce 13,6% em Santa Catarina, aponta Serasa Experian

Santa Catarina registrou alta de 13,6% na busca dos consumidores por crédito no acumulado de 12 meses até julho de 2026. Levantamento da Serasa Experian mostra que o avanço é mais forte entre pessoas com renda de um a dois salários mínimos. Arte: Rádio Chapecó/IA

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Procura por recursos financeiros avançou em todos os estados do Sul; famílias de menor renda concentram parte importante do crescimento

A procura dos consumidores por crédito continua avançando em Santa Catarina. Levantamento da Serasa Experian mostra que o Estado registrou crescimento de 13,6% no acumulado dos 12 meses até julho de 2026.

O movimento foi observado em toda a Região Sul. O Rio Grande do Sul apresentou a maior expansão, de 25,4%, seguido pelo Paraná, com 19,6%, enquanto Santa Catarina registrou alta de 13,6%.

Os números fazem parte do Indicador de Demanda dos Consumidores por Crédito da Serasa Experian e mostram um cenário em que mais famílias estão recorrendo ao mercado financeiro em busca de recursos.

Procura por crédito cresce 17,1% no Brasil

No cenário nacional, a demanda por crédito aumentou 17,1% no acumulado dos 12 meses encerrados em julho. A maior expansão foi observada entre consumidores com renda mensal de um a dois salários mínimos. Nessa faixa, a procura cresceu 38,8%.

Entre aqueles que recebem até um salário mínimo, a alta foi de 16,7%. Já entre consumidores com renda de cinco a dez salários mínimos, o avanço chegou a 14,8%. Na faixa de dois a cinco salários mínimos houve movimento contrário, com redução de 0,6% no período.

Crédito ajuda famílias a administrar orçamento

Segundo a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o crescimento da demanda entre consumidores de menor renda ocorre em um ambiente no qual o crédito permanece mais caro e seletivo.

A avaliação é que parte importante da procura atual não está necessariamente relacionada à ampliação do consumo, mas à necessidade de administrar as despesas do cotidiano e o orçamento doméstico.

Dados citados no levantamento mostram que o comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas permanece próximo de 29% da renda mensal, enquanto o endividamento gira em torno de 50% da renda acumulada em 12 meses.

Outro indicador ajuda a dimensionar a pressão sobre o orçamento. Segundo a Serasa Experian, os brasileiros comprometem, em média, 74,6% da renda com contas básicas, fatura do cartão de crédito e pagamento de dívidas. Entre os consumidores de menor renda, essa margem fica ainda mais apertada.

Crescimento chega a 57,3% em uma das faixas de renda

Quando a comparação considera somente julho de 2026 frente ao mesmo mês de 2025, a demanda dos consumidores brasileiros por crédito cresceu 16,9%.

Novamente, o maior avanço ocorreu entre pessoas com renda mensal de um a dois salários mínimos. Para esse público, a procura aumentou 57,3% em um ano.

A faixa de dois a cinco salários mínimos teve expansão de 10,8%, enquanto os demais grupos de renda apresentaram retração.

Para a economista-chefe da Serasa Experian, os resultados indicam que o avanço do crédito está cada vez mais concentrado entre famílias que possuem menor margem financeira para enfrentar despesas inesperadas.

Mato Grosso lidera crescimento no país

O levantamento também mostra que todos os estados brasileiros apresentaram crescimento da procura por crédito no acumulado dos 12 meses até julho.

Mato Grosso liderou a expansão nacional, com alta de 36,7%. Na sequência aparecem Acre, com 26,5%, e Amapá, com 25,6%.

O Rio Grande do Sul, com 25,4%, também aparece entre os maiores crescimentos do país.

Entre os menores avanços estão Distrito Federal, com 11,3%, São Paulo, com 12,8%, e Rio de Janeiro, com 13,3%.

Indicador mede procura, não aprovação do crédito

A Serasa Experian destaca que o indicador mede a intenção ou busca do consumidor por crédito. O cálculo considera uma amostra significativa de CPFs consultados mensalmente na base da empresa durante processos de avaliação para concessão de recursos financeiros.

Isso significa que a presença do consumidor no levantamento não indica necessariamente que o crédito tenha sido aprovado ou efetivamente contratado.