Acidentes, custo logístico, deficiência energética e crescimento econômico reforçam pressão por investimentos estruturantes na região
A lista de prioridades apresentada pelo empresariado do Oeste aos candidatos nas eleições de 2026 é sustentada por números que mostram problemas acumulados ao longo dos últimos anos.
Rodovias sobrecarregadas, acidentes, dependência do transporte por caminhões, limitações na rede elétrica e necessidade de ampliar estruturas estratégicas formam um conjunto de gargalos que acompanha o crescimento econômico regional.
BR-282: MAIS FERIDOS E UMA DUPLICAÇÃO QUE NÃO SAI DA PAUTA
A duplicação da BR-282, com inclusão de um elevado no trevo de Irani, lidera as prioridades do Oeste.
Entre 2018 e 2025, mais de 3 mil pessoas ficaram feridas no trecho da rodovia que atravessa a região.
Em 2025 foram 472 feridos, contra 357 em 2018, crescimento de 32%.
Os casos graves aumentaram 56% no período.
Quando consideradas as rodovias federais da Regional Oeste entre 2015 e 2025, o total chega a 5.490 feridos.
Os números colocam a duplicação da BR-282 não apenas como demanda econômica, mas também como questão permanente de segurança viária.
FERROVIA VOLTA À MESA
A implantação de um corredor ferroviário entre o Oeste e os portos catarinenses aparece como segunda prioridade.
A região concentra cadeias produtivas de aves e suínos com forte participação nas exportações brasileiras, mas continua dependente das rodovias para levar mercadorias aos portos e receber grãos do Centro-Oeste.
Desde 2000, as exportações catarinenses de carne de aves cresceram aproximadamente 400%. As de carne suína avançaram quase 2.000%.
Mesmo assim, a estrutura logística não acompanhou na mesma proporção.
Mais de 63% das rodovias estaduais e federais avaliadas pela Confederação Nacional do Transporte estão em condições precárias, segundo os dados apresentados pela Facisc. Esse cenário pode aumentar em cerca de 30% o custo operacional das transportadoras.
A escassez de motoristas também pressiona o setor. O número de habilitados para conduzir caminhões caiu mais de 40% em dez anos em Santa Catarina e 60% dos que permanecem habilitados têm mais de 60 anos.
SC-283 SEGUE COMO PROBLEMA REGIONAL
A revitalização da SC-283, entre Concórdia e São Carlos, ocupa o terceiro lugar na lista.
A rodovia recebeu classificação geral ruim, com pavimentação e geometria entre os piores indicadores avaliados.
Entre 2015 e 2025, mais de 3 mil acidentes foram registrados, média de aproximadamente 274 por ano.
ENERGIA VIRA LIMITAÇÃO PARA QUEM QUER CRESCER
O Oeste é a quarta regional catarinense em consumo industrial de energia elétrica, respondendo por 8,5% do total estadual.
Na última década, o consumo industrial cresceu 41%.
O número de unidades consumidoras da indústria aumentou 79%.
O crescimento pressiona uma infraestrutura que ainda apresenta limitações, como falta de rede trifásica em determinadas áreas e necessidade de novas subestações.
AEROPORTO CRESCE E COBRA NOVOS INVESTIMENTOS
O Aeroporto Serafim Enoss Bertaso também integra a lista de prioridades.
Em 2025, o terminal registrou 643,3 mil passageiros, recorde histórico e terceiro ano consecutivo acima de 600 mil usuários.
Chapecó tornou-se o terceiro maior aeroporto de Santa Catarina em fluxo de passageiros.
O setor produtivo defende novos investimentos, especialmente em tecnologias de navegação aérea de alta precisão, para aumentar a regularidade das operações.
CRESCIMENTO COBRA INFRAESTRUTURA
Os dados apresentados no Voz Única revelam uma contradição cada vez mais evidente.
O Oeste cresce em produção, exportações, empregos, empresas e movimentação econômica, mas continua convivendo com gargalos que se repetem há anos.
A cobrança levada aos candidatos parte justamente dessa diferença.
A região já demonstrou capacidade de produzir e crescer.
Agora quer saber se a infraestrutura pública conseguirá acompanhar.

