Se ainda existe a sensação de que fumar é apenas um hábito ruim, os números oficiais ajudam a colocar essa história em perspectiva
No Brasil, 477 pessoas morrem todos os dias, de forma precoce, por problemas provocados pelo tabagismo. São aproximadamente 174 mil mortes por ano atribuídas ao cigarro e a outros produtos de tabaco, segundo os dados mais recentes divulgados pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA).
E não estamos falando apenas de câncer de pulmão. O tabagismo está relacionado a aproximadamente 50 doenças, incluindo cânceres, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), infarto, acidente vascular cerebral (AVC), doenças respiratórias, tromboses, osteoporose, catarata, problemas bucais, infertilidade e impotência sexual, entre outras.
Os números são ainda mais incômodos: estimativas do INCA apontam que o tabagismo está associado a 40.567 mortes por DPOC, 30.871 por doenças cardíacas, 29.352 por outros tipos de câncer e 26.583 por câncer de pulmão, além de milhares de mortes relacionadas a AVC, pneumonia, diabetes e ao próprio tabagismo passivo.
E tem mais: segundo o INCA, fumantes podem ter até quatro vezes mais risco de desenvolver doenças cardíacas e AVC, enquanto o risco de câncer de pulmão pode chegar a ser 23 vezes maior entre homens fumantes e 13 vezes maior entre mulheres fumantes, em comparação com quem não fuma.
E A CONTA NÃO PARA NO CORPO
O cigarro também pesa — e muito — no bolso do país. Em 2022, as doenças relacionadas ao tabagismo provocaram R$ 153,5 bilhões em perdas anuais para o Brasil, considerando despesas médicas, perda de produtividade e cuidados de familiares. O valor equivale a 1,55% do PIB brasileiro.
Ou seja: aquele cigarro comprado todos os dias pode parecer uma despesa pequena no momento, mas o tabagismo produz uma conta gigantesca quando entram na equação internações, tratamentos, incapacidades, mortes prematuras e o impacto sobre as famílias.
E existe uma informação que talvez seja a mais importante de todas: o fumante não precisa enfrentar isso sozinho. Em Chapecó, a rede municipal está ampliando os grupos de tratamento justamente para oferecer acompanhamento a quem decidiu parar. A dependência de nicotina é uma doença — e procurar tratamento não é admitir derrota.
É tomar de volta o controle. Porque o cigarro pode até começar como uma escolha. Mas, quando a dependência se instala, ele passa a cobrar caro demais. Se você fuma, a pergunta não precisa ser “será que eu consigo parar?” Pode ser: “Quanto da minha vida eu ainda quero entregar para o cigarro?”
Quer saber mais, acesse Instituto Nacional de Câncer – INCA.
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Foto: Composição IA Gemini/Rádio Chapecó

