Ibovespa chegou a perder 17,34% durante o pregão, enquanto dólar atingiu R$ 5,60; juros futuros e risco-Brasil também registraram forte alta
O mercado financeiro brasileiro enfrenta uma segunda-feira (26) de forte turbulência após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que derrotou Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25).
Na atualização disponível às 15h, os números mais recentes confirmados, registrados às 14h40, apontavam queda de 14,62% do Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, aos 175.091 pontos. O dólar comercial avançava 8,86%, negociado a R$ 5,432.
Bolsa chegou a perder mais de 17% e acionou mecanismo de emergência
PAINEL DO MERCADO
Segunda-feira, 26/10/2026 | Dados das 14h40
Fonte: Folha de S.Paulo | Dados parciais do pregão, sujeitos a alterações.
A intensidade das vendas de ações levou a B3 a acionar o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações para conter movimentos extremos do mercado.
Foi a primeira ativação desde março de 2020, durante a pandemia de Covid-19.
Na mínima desta segunda-feira, o Ibovespa registrou queda de 17,34%. Considerando o fechamento de sexta-feira (23), de aproximadamente 205 mil pontos, a Bolsa chegou a perder mais de 35 mil pontos ao longo do dia.
Após a retomada das operações, o índice recuperou parte das perdas, mas continuava em forte baixa durante a tarde.
Dólar chegou a R$ 5,60
O mercado de câmbio também registrou uma reação expressiva.
A moeda norte-americana atingiu R$ 5,604 na máxima, uma valorização de 12,37% em relação ao fechamento anterior.
Por volta das 14h40, o dólar apresentava cotação inferior à máxima do dia, de R$ 5,432, ainda com alta de 8,86%.
O movimento colocou a moeda novamente em patamares observados no fim de 2025.
Juros futuros disparam e Tesouro cancela leilões
A instabilidade atingiu também o mercado de títulos públicos.
Às 14h40, a taxa dos contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2031 avançava para 15,465% ao ano, alta de 2,82 pontos percentuais.
O Tesouro Nacional anunciou o cancelamento de leilões de títulos prefixados e vinculados à inflação que estavam previstos para esta semana. Também realizou operações de recompra de títulos para contribuir com o funcionamento do mercado.
Por que o mercado financeiro reagiu dessa forma?
A forte queda está relacionada à mudança nas expectativas dos investidores após o resultado das eleições presidenciais.
Parte dos agentes financeiros apostava em uma vitória de Flávio Bolsonaro e em uma mudança na condução da política econômica, especialmente nas medidas de controle das despesas públicas.
Com a reeleição de Lula, investidores passaram a revisar suas posições, diante das incertezas sobre a trajetória fiscal, a dívida pública e as decisões econômicas do próximo mandato.
Essas preocupações representam expectativas dos agentes de mercado, e não uma comprovação antecipada de que as contas públicas vão piorar.
O impacto não foi uniforme. Empresas exportadoras, como Vale e Suzano, registraram valorização em parte do pregão, beneficiadas pela alta do dólar.
Mercado apresenta movimento contrário ao registrado após o primeiro turno
A reação desta segunda-feira contrasta com o desempenho registrado em 5 de outubro, primeiro pregão após o primeiro turno.
Na ocasião, o Ibovespa subiu 7,70%, enquanto o dólar recuou 4,11%, encerrando o dia próximo de R$ 5.
Agora, após a definição do segundo turno, o mercado apresenta movimento de direção oposta.
O que muda para o consumidor?
A alta persistente do dólar pode pressionar os preços de produtos importados, equipamentos eletrônicos e insumos utilizados pela indústria e pelo agronegócio.
Já o aumento dos juros futuros pode elevar os custos de financiamento para empresas e consumidores, caso o movimento se mantenha e seja transmitido às taxas praticadas pelas instituições financeiras.
A volatilidade também afeta investidores que possuem ações, fundos e aplicações ligadas ao mercado financeiro.
Os números desta reportagem são parciais. O fechamento do pregão poderá apresentar novas variações.

