Operação “Insídia” apura aquisição irregular de créditos judiciais no Oeste catarinense

O GAECO deflagrou, nesta quinta-feira (15), a Operação Insídia para investigar a possível aquisição irregular de créditos judiciais, principalmente de pessoas idosas, por valores inferiores aos devidos. Foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão em Chapecó, Xaxim, Romelândia e Nonoai (RS). A Justiça determinou a suspensão do exercício da advocacia de dois investigados e o bloqueio de mais de R$ 442 mil em patrimônio. A investigação apura o possível uso indevido de informações de clientes para negociar créditos judiciais.Foto: MPSC / Gaeco

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Onze mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Investigação apura o possível uso de informações obtidas na relação entre advogados e clientes para a negociação de créditos judiciais por valores inferiores aos que poderiam ser recebidos pelos seus titulares

Na manhã desta quinta-feira (15/10), o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), deflagrou a Operação “Insídia” para aprofundar uma investigação sobre a possível aquisição de créditos judiciais por valores inferiores aos que poderiam ser recebidos pelos seus titulares. 

Segundo as investigações, as negociações teriam atingido principalmente pessoas idosas, que teriam sido induzidas a ceder esses créditos por valores abaixo daqueles a que teriam direito. 

Foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão nos municípios de Xaxim, Chapecó e Romelândia, em Santa Catarina, e em Nonoai, no Rio Grande do Sul, com apoio do GAECO/RS. Além das buscas, a Vara Estadual de Organizações Criminosas (VEOC) determinou a suspensão do exercício da advocacia de dois investigados e o bloqueio patrimonial de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao caso, em montante superior a R$ 442 mil. 

A investigação teve origem na análise de informações obtidas durante a Operação “Entre Lobos”, também com o auxílio do GAECO/MPSC. Os elementos reunidos apontam que advogados investigados teriam utilizado informações obtidas na relação profissional com clientes para identificar oportunidades de aquisição de créditos judiciais e conduzir negociações por intermédio de empresa ligada ao grupo investigado. 

Segundo as apurações, a atuação do grupo envolveria a captação de clientes, a negociação dos créditos, a elaboração de contratos de cessão e o acompanhamento das transações por intermédio de uma empresa utilizada para a aquisição dos ativos judiciais. Também são apurados o papel desempenhado por cada investigado e a relação entre os envolvidos e a empresa utilizada nas negociações.

As medidas foram autorizadas pelo Poder Judiciário com base nos elementos já reunidos pela investigação. O objetivo é aprofundar as apurações, esclarecer a atuação dos envolvidos e reunir novos elementos de prova.

As investigações prosseguem sob sigilo judicial, e novas informações poderão ser divulgadas assim que houver publicidade dos autos.  

Operação Insídia

O nome da operação faz referência à suposta atuação dissimulada atribuída aos investigados, que teriam se valido de uma aparente separação entre escritório de advocacia e empresa adquirente de créditos judiciais para realizar as negociações sob investigação.  

O GAECO 

O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) é uma força-tarefa do Ministério Público de Santa Catarina composta pela Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Corpo de Bombeiros Militar e Receita Estadual, e tem como finalidade a identificação, prevenção e repressão às organizações criminosas.