Amazônia em chamas: queimadas disparam e cobram respostas do governo Lula

Incêndios avançam no Amazonas, FAB mobiliza aviões e crescimento de focos reacende cobranças sobre Fundo Amazônia e COP30. Na foto, aeronave KC-390 equipada com sistema MAFFS, em imagem de arquivo. Foto: Sgt Müller Marin/Força Aérea Brasileira/Divulgação

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FAB mobiliza aviões militares, focos de calor mais que dobram no Amazonas e crise expõe dúvidas sobre Fundo Amazônia e promessas da COP30

A Amazônia voltou a enfrentar uma grave crise de incêndios florestais. Nesta segunda-feira (12), a Força Aérea Brasileira (FAB) realizou a primeira missão de combate às chamas no Amazonas com aeronave KC-390 Millennium. A operação ocorre em meio ao avanço das queimadas, à deterioração da qualidade do ar e a novos questionamentos sobre a política ambiental do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo o Ministério Público de Contas do Amazonas, com base em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o estado acumulou 7.583 focos de calor entre janeiro e 10 de outubro de 2026, contra 3.589 no mesmo período de 2025. O crescimento chega a aproximadamente 111%.

Os dados representam focos de calor identificados por satélite, não necessariamente incêndios distintos ou a extensão da área queimada. Um mesmo incêndio pode gerar múltiplos registros, conforme esclarece o Ministério Público de Contas do Amazonas.

Arte ilustrativa produzida com auxílio de inteligência artificial. Rádio Chapecó

A situação é especialmente preocupante em Manaus, onde a fumaça provocou suspensão de aulas e restrições a atividades presenciais.

FAB entra em ação

Conforme comunicados enviados pela FAB à imprensa, duas aeronaves KC-390 Millennium chegaram a Manaus no domingo (11), para apoiar operações nas regiões de Manaus, Itacoatiara e Parintins.

Uma delas utiliza o sistema MAFFS, capaz de lançar aproximadamente 12 mil litros de água por operação. A previsão inicial é de três missões diárias, conforme condições operacionais.

Onde estão os resultados do Fundo Amazônia?

A crise também coloca em discussão a aplicação dos recursos destinados à proteção da floresta.

Administrado pelo BNDES, o Fundo Amazônia registrou, em 2025, aprovação de 22 operações, totalizando R$ 2,2 bilhões, além de desembolsos de R$ 387 milhões.

Os valores mostram que o fundo está em funcionamento. A questão a ser esclarecida é quanto desses recursos chegou efetivamente às regiões atingidas, quais projetos estão produzindo resultados e se os investimentos são suficientes para prevenir e enfrentar incêndios da atual dimensão.

E as cobranças internacionais feitas durante governo Bolsonaro?

Em 2019, incêndios na Amazônia provocaram forte repercussão internacional. O então presidente Jair Bolsonaro enfrentou críticas de lideranças estrangeiras, ambientalistas e personalidades, entre elas o presidente francês Emmanuel Macron e o ator Leonardo DiCaprio.

Sete anos depois, com Lula na Presidência, a gravidade dos incêndios volta a exigir respostas e fiscalização rigorosa das ações governamentais.

A cobrança ambiental precisa seguir critérios consistentes, independentemente de quem ocupa o Palácio do Planalto.

COP30: compromissos e resultados

O Brasil sediou a COP30, realizada em Belém, em novembro de 2025, com compromissos internacionais de enfrentamento às mudanças climáticas.

A conferência aprovou decisões sobre financiamento climático, adaptação e proteção ambiental. Entretanto, a situação atual no Amazonas reforça a necessidade de demonstrar como esses compromissos estão sendo transformados em medidas concretas.

A crise também envolve responsabilidades dos governos federal, estadual e municipais, além da necessidade de investigar incêndios provocados por ação humana.

Onde estão os resultados prometidos?

Diante do avanço das queimadas, permanecem questões de interesse público: quais medidas preventivas foram executadas antes da estiagem? Quanto foi efetivamente investido no combate ao fogo? Por que houve divergências entre autoridades estaduais e federais sobre o envio de aeronaves? Quais resultados mensuráveis foram alcançados?

A mobilização da FAB representa resposta operacional à emergência. Mas a dimensão dos incêndios exige transparência sobre prevenção, fiscalização, financiamento e capacidade de reação do poder público.

Proteger a Amazônia é compromisso permanente do Estado brasileiro — e a cobrança por resultados não pode depender de quem está no governo.

O espaço segue aberto para manifestação do governo federal sobre as cobranças envolvendo prevenção, uso de recursos e resultados práticos das políticas ambientais.