Reaproveitamento de materiais e redução de desperdícios abrem oportunidades de negócios e ampliam a demanda por profissionais qualificados
Transformar resíduos em matéria-prima, recuperar produtos e reduzir desperdícios são práticas presentes em 57% das empresas industriais brasileiras, de acordo com pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Divulgado na quinta-feira (1º), o levantamento ouviu mais de 1.600 empresários industriais e mostra como a economia circular se conecta à eficiência das empresas e às oportunidades de mercado.
O modelo busca manter produtos e materiais em uso por mais tempo, aproveitando melhor os recursos. Isso inclui reciclagem, manutenção, reparo e recuperação de itens que podem voltar à cadeia produtiva, em vez de serem descartados.
Redução de custos e retorno financeiro
O interesse das indústrias também está ligado aos resultados econômicos. Segundo a CNI, 40% apontam a redução dos custos operacionais como principal benefício esperado. A melhoria da imagem empresarial é mencionada por 31%, enquanto 30% destacam o estímulo à inovação em produtos, processos e serviços.
Entre as empresas que investem em economia circular, 40% já observam retorno financeiro. Outras 46%, porém, ainda não sabem medir o impacto direto desses investimentos no faturamento.
A reciclagem é a prática mais difundida, adotada por 32% das indústrias. O recolhimento de produtos e embalagens após o uso, chamado de logística reversa, e a incorporação de materiais reciclados ou recuperados à produção aparecem com 26% cada.
Espaço para empreender e qualificar trabalhadores
As atividades identificadas no estudo indicam possibilidades para negócios voltados à coleta, separação e recuperação de materiais, manutenção e reparo de produtos. Para empreendedores, atender a essas necessidades pode representar uma oportunidade de fornecer serviços e insumos às indústrias.
A qualificação profissional é um dos desafios dessa transição. Entre as pequenas empresas, 21% citam a falta de mão de obra qualificada como entrave interno à adoção das práticas. O dado sinaliza a importância da capacitação para atender ao setor, embora a pesquisa não apresente uma estimativa de empregos gerados.
A adesão varia conforme o porte das empresas: chega a 66% nas grandes indústrias, 54% nas médias e 43% nas pequenas. A diferença reforça a necessidade de condições que permitam aos negócios menores investir nesse modelo.
Juros e tecnologia dificultam avanços
Apesar das oportunidades, há obstáculos. As taxas de juros elevadas e a falta de demanda por produtos circulares são apontadas por 25% dos entrevistados, cada uma. A viabilidade econômica das soluções tecnológicas é uma barreira para 30% das indústrias.
Para ampliar a adoção dessas práticas, 47% dos empresários defendem incentivos econômicos à infraestrutura de reciclagem e logística reversa, e 46% pedem apoio a projetos de inovação.
Percentual de empresas por setor que desenvolvem pelo menos uma prática de economia circular

