Município está entre dez cidades brasileiras selecionadas para estudo sobre cuidado de pessoas com demência e apoio aos familiares
Neste 21 de setembro, Dia Mundial e Dia Nacional de Conscientização da Doença de Alzheimer, Chapecó ganha destaque nacional por participar de uma pesquisa voltada ao enfrentamento das demências no Sistema Único de Saúde (SUS).
O município é uma das dez cidades brasileiras escolhidas para integrar o Projeto Relatório Nacional sobre Demência no SUS (ReNaDe), desenvolvido pelo Ministério da Saúde em parceria com o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, por meio do Proadi-SUS. Chapecó foi indicada para representar Santa Catarina na iniciativa.
Pesquisa envolve unidades de saúde de Chapecó
No município, o trabalho inclui o projeto ESCADA — Estratégias para Cuidadores em Demência. A proposta é avaliar uma metodologia de apoio a familiares que cuidam de pessoas com demência em casa.
Agentes comunitários de saúde dos Centros de Saúde da Família Oeste e Esplanada participam da pesquisa. O estudo analisa estratégias para melhorar a saúde mental, a qualidade de vida e o suporte oferecido aos cuidadores familiares. A previsão divulgada pela Prefeitura é de conclusão em meados de 2027. Se validado, o protocolo poderá ser adotado em outras regiões do país.
1,8 milhão de brasileiros vivem com demência
Dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de 1,8 milhão de brasileiros vivem atualmente com algum tipo de demência. A estimativa corresponde a aproximadamente 8,5% da população com 60 anos ou mais. Projeções oficiais indicam crescimento expressivo nas próximas décadas, impulsionado principalmente pelo envelhecimento da população.
A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência e representa entre 60% e 70% dos casos no mundo, segundo o Ministério da Saúde. Trata-se de uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta principalmente memória, linguagem, raciocínio e autonomia para as atividades do dia a dia.
Quais sinais merecem atenção?
O esquecimento de acontecimentos recentes costuma ser um dos primeiros sinais, mas não é o único.
Entre os sintomas que podem justificar avaliação médica estão a repetição frequente das mesmas perguntas, dificuldade para encontrar caminhos conhecidos, problemas para acompanhar conversas, dificuldade para encontrar palavras e perda de orientação no tempo e no espaço.
O Ministério da Saúde alerta que nem todo esquecimento significa Alzheimer. Outras condições, inclusive algumas tratáveis, podem provocar alterações de memória. Por isso, a investigação médica é fundamental.
Diagnóstico precoce ajuda no cuidado
O Alzheimer ainda não tem cura, mas o diagnóstico precoce permite iniciar o acompanhamento adequado, controlar sintomas e organizar o cuidado do paciente e da família.
O SUS disponibiliza acompanhamento multiprofissional e medicamentos previstos no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da doença. O protocolo nacional foi atualizado em novembro de 2025 e orienta o diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos pacientes em todo o país.
O Ministério da Saúde também destaca a importância de hábitos que contribuem para a saúde cerebral, como atividade física regular, controle da hipertensão e do diabetes, vida social ativa, estímulos intelectuais, sono adequado e redução de fatores de risco cardiovascular.
Cuidar também de quem cuida
A participação de Chapecó na pesquisa nacional chama atenção para um aspecto nem sempre visível da doença: a sobrecarga enfrentada pelos familiares responsáveis pelo cuidado diário.
É justamente nesse ponto que o projeto desenvolvido no município atua, buscando capacitar profissionais da atenção básica e oferecer estratégias para melhorar o suporte aos cuidadores e às pessoas com demência.

