Fenômeno elevou repentinamente o nível do mar em três municípios; no Oeste, risco de tempestades antecede queda acentuada das temperaturas
O tsunami meteorológico registrado no Litoral Sul de Santa Catarina é a manifestação mais incomum de uma atmosfera fortemente instável nesta segunda-feira (21). O fenômeno não avança em direção ao interior, mas o sistema de tempo associado à passagem da frente fria ainda pode produzir tempestades no Oeste catarinense.
Para Chapecó e municípios da região, a principal preocupação entre a noite desta segunda-feira e a madrugada de terça-feira (22) é a formação ou passagem de núcleos isolados de chuva forte. Eles podem provocar raios, rajadas de vento e eventual queda de granizo.
A característica isolada significa que os efeitos podem variar bastante: uma cidade pode registrar temporal intenso enquanto um município próximo recebe pouca chuva.
Radar mostra instabilidades sobre o estado
A imagem dos radares meteorológicos das 17h30 mostrava áreas de chuva e núcleos mais intensos espalhados por Santa Catarina. No Oeste, a Defesa Civil havia emitido uma observação de curtíssimo prazo para temporais isolados, inicialmente válida até as 18h40.
O fim da validade do mapa não representa, automaticamente, o encerramento do risco. Os avisos de curtíssimo prazo retratam apenas um período específico e podem ser renovados conforme a evolução das tempestades.
Na previsão mais ampla, a Defesa Civil mantém a possibilidade de temporais durante a noite. A instabilidade também pode persistir na madrugada de terça-feira, principalmente nas áreas próximas à divisa com o Paraná — condição que exige atenção em parte do Oeste e do Meio-Oeste.
O que ainda pode ocorrer no Oeste
Nas tempestades mais fortes, podem ocorrer:
- chuva intensa em curto período;
- grande quantidade de raios;
- rajadas fortes de vento;
- queda localizada de granizo;
- alagamentos em pontos com drenagem insuficiente;
- quedas de árvores e galhos;
- destelhamentos;
- interrupções pontuais no fornecimento de energia.
A Epagri/Ciram indica que, durante a passagem da frente fria, as rajadas associadas aos temporais podem variar entre 60 e 100 quilômetros por hora. Esse valor não representa vento contínuo em toda a região: trata-se do potencial das células mais intensas e localizadas.
Tempo melhora durante a terça-feira
A frente fria deve se afastar para o oceano ao longo de terça-feira. Ainda pode chover, com possibilidade de temporais bem isolados, entre a madrugada e o início da manhã.
Depois, a tendência é de diminuição da nebulosidade e melhora gradual do tempo no Oeste. O vento muda para sudoeste e sul, permitindo a entrada de uma massa de ar mais frio e seco.
A temperatura cai no decorrer do dia. As máximas devem ficar entre 17°C e 22°C no estado, e os termômetros podem marcar menos de 12°C durante a noite.
Quarta-feira começa fria no Oeste
A quarta-feira (23) deve ser de tempo firme e maior presença de sol no Oeste. O amanhecer, porém, será frio, com temperaturas previstas entre 5°C e 10°C na região.
A Defesa Civil trabalha com mínimas entre 7°C e 10°C na maior parte das áreas fora da Serra, enquanto a Epagri/Ciram admite marcas próximas de 5°C em alguns pontos. Essa diferença ocorre porque os boletins utilizam modelos, horários e divisões regionais distintos.
Durante a tarde, a temperatura deve ficar próxima dos 20°C no Grande Oeste. Não há indicação de frio extremo nem de geada para Chapecó; o risco de geada isolada fica concentrado nas áreas mais altas do Planalto Sul.
Frio será curto e calor volta rapidamente
A quinta-feira (24) também deve começar com temperaturas baixas, mas o frio perde força durante o dia. O tempo permanece firme, com sol e algumas nuvens.
Na sexta-feira (25), o aquecimento ganha força e as máximas podem voltar a se aproximar dos 30°C no Oeste. Portanto, a região terá uma mudança rápida: temporais e calor nesta segunda-feira, frio entre terça e quinta e nova elevação das temperaturas antes do fim da semana.
O que aconteceu no Litoral Sul
O tsunami meteorológico atingiu Jaguaruna, Laguna e Imbituba por volta das 6h. O nível do mar subiu rapidamente, invadiu ruas, depositou água e areia sobre as vias, danificou edificações e arrastou embarcações. Não havia registro de vítimas até a última atualização.
Diferentemente de um tsunami provocado por terremoto, o fenômeno catarinense foi causado por uma combinação de mudanças na pressão atmosférica e ventos intensos sobre o mar. Rajadas de sul entre 60 e 90 quilômetros por hora acompanharam uma linha de instabilidade e coincidiram com a elevação registrada pelos marégrafos de Imbituba e Laguna.
A Defesa Civil informou que não há previsão de repetição do fenômeno nos próximos dias. A entrada de ar frio e seco reduz as condições necessárias para novas linhas de instabilidade sobre o oceano.
Recomendações
Durante os temporais, a orientação é permanecer em local protegido, longe de árvores, placas, postes e estruturas metálicas. Veículos devem ser estacionados em locais seguros e afastados de árvores.
Nunca atravesse ruas alagadas, pontes ou pontilhões cobertos pela água. Em caso de emergência, os telefones são 199, da Defesa Civil, e 193, do Corpo de Bombeiros.

