Dia mundial do doador de medula óssea reforça importância do cadastro em Chapecó

Cadastro de possíveis doadores pode aumentar as chances de pacientes que aguardam por transplante. Em Chapecó, o atendimento é realizado pelo HEMOSC. Cadastro de novos doadores amplia as chances de compatibilidade para pacientes que aguardam transplante. Foto: CEPON-SC/Divulgação

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Um simples cadastro pode representar uma nova chance para pacientes que aguardam por transplante; em Chapecó, interessados podem procurar o HEMOSC

Encontrar uma pessoa geneticamente compatível pode ser o começo de uma nova história para pacientes que dependem de um transplante de medula óssea. Neste sábado, 19 de setembro, a mobilização em torno do Dia Mundial do Doador de Medula Óssea reforça uma mensagem simples, mas decisiva: quanto mais pessoas cadastradas, maiores são as possibilidades de encontrar um doador para quem está esperando.

Em Santa Catarina, essa rede envolve principalmente o Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina (HEMOSC), responsável pelo cadastro dos possíveis doadores, e o Centro de Pesquisas Oncológicas (CEPON), referência na realização dos transplantes.

Em Chapecó, quem deseja ingressar no cadastro nacional pode procurar diretamente o Hemocentro Regional.

Onde se cadastrar em Chapecó

O HEMOSC Chapecó está localizado na Rua São Leopoldo, 391-D. A unidade integra a hemorrede pública de Santa Catarina e atende moradores de Chapecó e de municípios de toda a região Oeste.

Para informações sobre o cadastro de medula óssea, o cidadão pode entrar em contato com a unidade antes de se deslocar. A central do HEMOSC Chapecó atende pelo telefone (49) 3700-6400. Contatos utilizados para captação e agendamento são (49) 3700-6410 e WhatsApp (49) 3700-6411.

Como 19 de setembro cai em um sábado, a recomendação é confirmar previamente os dias e horários disponíveis para o cadastro de medula óssea.

Quem pode entrar para o cadastro

No Brasil, o voluntário que deseja ingressar no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME) deve ter entre 18 e 35 anos no momento do cadastro, estar em bom estado geral de saúde e apresentar documento oficial de identificação com foto.

No hemocentro, são preenchidas as informações pessoais e coletada uma pequena amostra de sangue. Ela será utilizada para identificar as características genéticas do voluntário, por meio da tipagem HLA — espécie de “identidade genética” utilizada na comparação com pacientes que necessitam do transplante.

Depois desse procedimento, os dados passam a fazer parte do REDOME. O cadastro permanece ativo até o voluntário completar 60 anos.

É importante destacar que fazer o cadastro não significa que a pessoa irá imediatamente doar medula. O chamado só acontece caso seja identificada uma possível compatibilidade com algum paciente.

Encontrar um doador pode ser um grande desafio

A compatibilidade genética é um dos principais desafios enfrentados por quem necessita de um transplante. Entre irmãos, a possibilidade de encontrar um doador compatível é de aproximadamente 25%. Quando não existe um doador adequado na família, começa a procura nos registros de voluntários.

Entre pessoas sem parentesco, dependendo das características genéticas envolvidas, a possibilidade de compatibilidade pode chegar a uma em 100 mil. É justamente por isso que ampliar e diversificar o número de pessoas cadastradas é tão importante.

Atualmente, o REDOME reúne mais de 5,9 milhões de voluntários e faz o cruzamento das informações genéticas de pacientes e possíveis doadores. Manter telefone, e-mail e endereço atualizados também é fundamental, pois uma compatibilidade pode ser identificada anos depois do primeiro cadastro.

Santa Catarina conecta doadores e pacientes

O trabalho realizado pelo HEMOSC começa antes do transplante. É na instituição que o candidato passa pelo cadastro e pela coleta destinada à identificação do HLA.

Se houver compatibilidade, novas etapas são realizadas para confirmar que aquela pessoa pode efetivamente fazer a doação.

Na outra ponta dessa rede está o CEPON. A Unidade de Transplante de Células-Tronco Hematopoéticas é responsável, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), pela realização de transplantes autólogos, utilizando células do próprio paciente, e alogênicos, quando as células vêm de um doador.

Somente em 2025, o serviço realizou 111 transplantes. Entre janeiro e agosto de 2026 foram outros 103 procedimentos, dos quais 74 autólogos e 29 alogênicos.

São números que representam pessoas e famílias que receberam uma nova possibilidade de tratamento.

Uma segunda chance de viver

Uma dessas histórias é a de Geraldo Heck, de 59 anos. Com uma rotina ativa, trabalho e prática de esportes, ele começou a perceber um cansaço intenso e uma tosse persistente. Depois dos exames veio o diagnóstico de leucemia.

Após o tratamento inicial, a doença retornou. Geraldo foi então encaminhado para um transplante alogênico de medula óssea, realizado no CEPON em 28 de março de 2026.

Depois do procedimento, voltou gradualmente às caminhadas e corridas. Ao falar sobre a experiência, resume o significado do gesto de quem se dispõe a doar: “Quem doa uma medula está dando uma segunda chance de vida para alguém”.

Para Ana Jaqueline, de 33 anos e mãe de três filhos, o transplante também representou uma nova oportunidade. Ela enfrentou cerca de três anos e meio de tratamento contra um linfoma de Hodgkin, passando por dezenas de sessões de quimioterapia e diferentes protocolos.

Ana Jaqueline, de 33 anos e mãe de três filhos. Foto: CEPN-SC/Divulgação

Quando o transplante alogênico foi indicado, a busca começou pela própria família. O pai apresentou compatibilidade e tornou-se o doador. O procedimento foi realizado em outubro de 2025.

Depois de retomar atividades do cotidiano, Ana passou também a incentivar outras pessoas a conhecerem a doação de sangue e de medula óssea.

Um cadastro hoje pode fazer diferença anos depois

Quem entra para o REDOME pode nunca ser chamado, pode receber uma ligação meses depois ou até mesmo anos após o cadastro. Não há como prever quando aparecerá uma pessoa geneticamente compatível.

Por isso, além de aumentar o número de novos voluntários, é essencial que quem já está registrado mantenha seus dados de contato atualizados.

O aplicativo oficial do REDOME permite consultar informações do cadastro, atualizar telefone, e-mail e endereço e acessar a carteirinha digital do doador.

Para quem tem entre 18 e 35 anos e atende aos requisitos de saúde, procurar o hemocentro e realizar o cadastro pode significar alguns minutos de um dia. Para alguém que espera por um transplante, pode representar a chance de uma vida inteira.