BR-282, FERROVIA E SC-283 EXPÕEM GARGALOS QUE O OESTE ARRASTA HÁ ANOS

BR-282, FERROVIA E SC-283 EXPÕEM GARGALOS QUE O OESTE ARRASTA HÁ ANOS
Números apresentados pelo Voz Única mostram por que BR-282, ferrovia, SC-283, energia e Aeroporto de Chapecó seguem entre as principais demandas do Oeste. Acidentes, custos logísticos e crescimento econômico aumentam a pressão por investimentos. Imagem: Rádio Chapecó/IA

Compartilhe!

Acidentes, custo logístico, deficiência energética e crescimento econômico reforçam pressão por investimentos estruturantes na região

A lista de prioridades apresentada pelo empresariado do Oeste aos candidatos nas eleições de 2026 é sustentada por números que mostram problemas acumulados ao longo dos últimos anos.

Rodovias sobrecarregadas, acidentes, dependência do transporte por caminhões, limitações na rede elétrica e necessidade de ampliar estruturas estratégicas formam um conjunto de gargalos que acompanha o crescimento econômico regional.

BR-282: MAIS FERIDOS E UMA DUPLICAÇÃO QUE NÃO SAI DA PAUTA

A duplicação da BR-282, com inclusão de um elevado no trevo de Irani, lidera as prioridades do Oeste.

Entre 2018 e 2025, mais de 3 mil pessoas ficaram feridas no trecho da rodovia que atravessa a região.

Em 2025 foram 472 feridos, contra 357 em 2018, crescimento de 32%.

Os casos graves aumentaram 56% no período.

Quando consideradas as rodovias federais da Regional Oeste entre 2015 e 2025, o total chega a 5.490 feridos.

Os números colocam a duplicação da BR-282 não apenas como demanda econômica, mas também como questão permanente de segurança viária.

FERROVIA VOLTA À MESA

A implantação de um corredor ferroviário entre o Oeste e os portos catarinenses aparece como segunda prioridade.

A região concentra cadeias produtivas de aves e suínos com forte participação nas exportações brasileiras, mas continua dependente das rodovias para levar mercadorias aos portos e receber grãos do Centro-Oeste.

Desde 2000, as exportações catarinenses de carne de aves cresceram aproximadamente 400%. As de carne suína avançaram quase 2.000%.

Mesmo assim, a estrutura logística não acompanhou na mesma proporção.

Mais de 63% das rodovias estaduais e federais avaliadas pela Confederação Nacional do Transporte estão em condições precárias, segundo os dados apresentados pela Facisc. Esse cenário pode aumentar em cerca de 30% o custo operacional das transportadoras.

A escassez de motoristas também pressiona o setor. O número de habilitados para conduzir caminhões caiu mais de 40% em dez anos em Santa Catarina e 60% dos que permanecem habilitados têm mais de 60 anos.

SC-283 SEGUE COMO PROBLEMA REGIONAL

A revitalização da SC-283, entre Concórdia e São Carlos, ocupa o terceiro lugar na lista.

A rodovia recebeu classificação geral ruim, com pavimentação e geometria entre os piores indicadores avaliados.

Entre 2015 e 2025, mais de 3 mil acidentes foram registrados, média de aproximadamente 274 por ano.

ENERGIA VIRA LIMITAÇÃO PARA QUEM QUER CRESCER

O Oeste é a quarta regional catarinense em consumo industrial de energia elétrica, respondendo por 8,5% do total estadual.

Na última década, o consumo industrial cresceu 41%.

O número de unidades consumidoras da indústria aumentou 79%.

O crescimento pressiona uma infraestrutura que ainda apresenta limitações, como falta de rede trifásica em determinadas áreas e necessidade de novas subestações.

AEROPORTO CRESCE E COBRA NOVOS INVESTIMENTOS

O Aeroporto Serafim Enoss Bertaso também integra a lista de prioridades.

Em 2025, o terminal registrou 643,3 mil passageiros, recorde histórico e terceiro ano consecutivo acima de 600 mil usuários.

Chapecó tornou-se o terceiro maior aeroporto de Santa Catarina em fluxo de passageiros.

O setor produtivo defende novos investimentos, especialmente em tecnologias de navegação aérea de alta precisão, para aumentar a regularidade das operações.

CRESCIMENTO COBRA INFRAESTRUTURA

Os dados apresentados no Voz Única revelam uma contradição cada vez mais evidente.

O Oeste cresce em produção, exportações, empregos, empresas e movimentação econômica, mas continua convivendo com gargalos que se repetem há anos.

A cobrança levada aos candidatos parte justamente dessa diferença.

A região já demonstrou capacidade de produzir e crescer.

Agora quer saber se a infraestrutura pública conseguirá acompanhar.