VIDA NA ESTRADA COBRA PREÇO: MAIS DA METADE DOS CAMINHONEIROS PODE TER HIPERTENSÃO, APONTA MINISTÉRIO DA SAÚDE

Imagem ilustrativa Rádio Chapecó-IA
Dados reunidos pelo Ministério da Saúde apontam alta ocorrência de hipertensão, sobrepeso, obesidade e privação de sono entre caminhoneiros brasileiros. Rotina nas estradas também dificulta o acesso regular aos serviços de saúde. Imagem ilustrativa Rádio Chapecó-IA

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Longas jornadas, poucas horas de sono, alimentação inadequada e dificuldade para procurar atendimento colocam profissionais do transporte entre os públicos que exigem estratégias específicas de saúde

A rotina de quem transporta grande parte das mercadorias que circulam pelo Brasil também produz consequências importantes para a saúde. Dados reunidos pelo Ministério da Saúde indicam elevada ocorrência de excesso de peso, hipertensão, pouco descanso e outros problemas entre caminhoneiros.

Em nota técnica destinada à implantação de atendimento específico à categoria, o Ministério aponta que estudos utilizados como referência encontraram sobrepeso ou obesidade em 74,1% dos caminhoneiros avaliados e hipertensão em 52%. Também são mencionadas jornadas acompanhadas por apenas três a cinco horas de sono por dia e ocorrência de dores musculoesqueléticas persistentes em 25% dos trabalhadores pesquisados.

Estrada dificulta acompanhamento médico

O problema não está apenas na incidência de doenças.

Segundo o próprio Ministério da Saúde, a lógica tradicional da Atenção Primária, normalmente vinculada ao território onde a pessoa reside, pode se tornar uma barreira para uma população que permanece constantemente em trânsito.

Caminhoneiros podem passar vários dias ou semanas longe de casa e enfrentar dificuldades para manter consultas, exames periódicos e acompanhamento continuado.

É justamente essa característica que tem levado à criação de estratégias móveis e atendimentos realizados nas próprias rodovias.

Pressão alta pode avançar silenciosamente

A hipertensão merece atenção especial porque frequentemente não apresenta sintomas nas fases iniciais.

Entre os principais fatores associados à doença estão obesidade, sedentarismo, estresse, consumo excessivo de sal, álcool, tabagismo e colesterol elevado, segundo o Ministério da Saúde.

Pesquisas realizadas especificamente com motoristas profissionais também vêm demonstrando essa associação. Estudo brasileiro com motoristas de cargas identificou relação entre aumento do índice de massa corporal, glicemia elevada e ocorrência de hipertensão.

Sono também interfere na segurança

O descanso insuficiente representa outro ponto de preocupação.

Estudo brasileiro com caminhoneiros encontrou relatos de motoristas que já haviam dormido enquanto dirigiam e associação entre excesso de peso, distúrbios do sono e risco de apneia obstrutiva.

Outra pesquisa, envolvendo mais de 2,2 mil caminhoneiros avaliados em paradas rodoviárias, relacionou sonolência a fatores como obesidade abdominal e hipertensão.

Os dados indicam que cuidar da saúde do motorista profissional não é apenas uma questão individual. Diagnóstico precoce de hipertensão, diabetes, distúrbios do sono e outras condições também pode contribuir para a segurança de quem divide as rodovias com milhares de veículos de carga diariamente.