CHUVAS FECHAM PORTO DE ITAJAÍ E ACENDEM ALERTA PARA EXPORTAÇÕES DE CARNES E INDÚSTRIA

Vista ilustrativa do Porto de Itajaí com canal interditado devido às fortes chuvas. (Foto: Ilustração Rádio Chapecó/IA)

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Interdição impede entrada e saída de navios; forte correnteza e transporte de sedimentos provocados pelas chuvas intensas afetam um dos principais corredores logísticos de Santa Catarina

O fechamento total do canal de acesso ao Complexo Portuário de Itajaí devido às fortes chuvas que atingem Santa Catarina acende um sinal de alerta para setores estratégicos da economia estadual, especialmente a cadeia do agronegócio, frigoríficos exportadores, indústrias e empresas que dependem do transporte marítimo.

Segundo comunicado da Superintendência do Porto de Itajaí, a impraticabilidade total do canal de acesso foi determinada pela Autoridade Marítima e comunicada pela Delegacia da Capitania dos Portos em Itajaí. A suspensão das manobras de entrada e saída de embarcações ocorreu após a forte correnteza no canal ultrapassar os parâmetros considerados seguros para a navegação, em consequência do elevado volume de chuva registrado na Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí-Açu.

Com a elevação da vazão do rio, aumenta também a força da correnteza em direção ao estuário, tornando as operações de navegação inviáveis. Além disso, o grande volume de água transporta sedimentos para o canal de acesso, acelerando o processo de assoreamento e podendo reduzir a profundidade em determinados pontos.

A interrupção ocorre em um momento de forte crescimento da movimentação portuária. Dados do Ministério de Portos e Aeroportos apontam que o Porto de Itajaí movimentou 2,6 milhões de toneladas de cargas no primeiro semestre de 2026, volume 40% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. A movimentação de contêineres cresceu 75%.

IMPACTO PODE CHEGAR AO OESTE

Embora o problema esteja no Litoral Norte, os reflexos podem alcançar rapidamente regiões produtoras como o Oeste catarinense.

Uma eventual paralisação prolongada pode afetar a programação de embarques de produtos destinados ao mercado internacional, especialmente carnes congeladas, além de outros produtos da agroindústria. Também entram na lista setores como madeira, papel, máquinas, equipamentos, plásticos e empresas dependentes da importação de matérias-primas e componentes industriais.

O efeito pode atingir toda a cadeia logística. Navios deixam de operar, cargas aguardam embarque, contêineres podem se acumular nos terminais e transportadoras precisam reorganizar rotas e cronogramas.

Para uma economia fortemente dependente das exportações, qualquer interrupção prolongada representa preocupação adicional com prazos de entrega, contratos internacionais e custos logísticos.

DRAGAGEM SEGUE NO CANAL

Mesmo com a suspensão das manobras, uma draga hopper permanece trabalhando no canal de acesso desde domingo, retirando sedimentos acumulados no fundo.

A retomada das operações, no entanto, depende da melhora das condições hidrológicas e meteorológicas e de uma nova avaliação das condições de segurança para a navegação. Até o momento, não há previsão definida para a normalização das manobras.

O fechamento de um porto, portanto, não representa apenas navios parados no litoral. Em Santa Catarina, significa uma possível interrupção em uma cadeia que começa no campo, passa pelos frigoríficos e indústrias e termina nos mercados internacionais.

Até a tarde desta terça-feira (1º), não havia previsão oficial definida para a normalização das manobras.

Aqui você pode ver imagens da Central de Monitoramento da Defesa Civil de Santa Catarina.