Empreendimento de mais de R$ 52 milhões transforma pele do peixe em produto médico e coloca em evidência o potencial de agregação de valor à piscicultura brasileira; Tecnologia brasileira transforma subproduto da piscicultura em curativo biológico para queimaduras e feridas
Uma tecnologia desenvolvida no Brasil está prestes a transformar a pele da tilápia em um produto de alto valor para a área da saúde. O município de Jaguaribara, no Ceará, receberá a primeira fábrica farmacêutica do país dedicada à produção, em escala industrial, de curativos biológicos à base de pele de tilápia liofilizada.
O projeto tem investimento previsto superior a R$ 52 milhões, com participação privada e apoio do Governo do Ceará. A tecnologia foi desenvolvida e patenteada por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) e licenciada para exploração comercial.
A unidade deverá transformar a pele da tilápia, subproduto do processamento do peixe, em matéria-prima para curativos destinados ao tratamento de queimaduras e feridas de difícil cicatrização. O processo utiliza a liofilização, uma técnica de desidratação a frio que permite conservar o material sem necessidade de refrigeração. Antes da aplicação, o curativo é reidratado para utilização no paciente.
O empreendimento ainda está em fase de implantação, com etapas de estruturação e licenciamento sanitário. A previsão divulgada é de início da produção industrial em 2028.
SANTA CATARINA NO CENTRO DA CADEIA DA TILÁPIA
A novidade cearense chama atenção especialmente em Santa Catarina, um dos principais polos brasileiros da piscicultura. O Estado possui uma cadeia consolidada de pescados, com forte presença na produção, processamento e comercialização.
Ranking da Produção Nacional de Tilápia (Piscicultura de Água Doce)
| Posição | Estado | Produção (Toneladas) |
| 1º | Paraná | 273,1 mil |
| 2º | São Paulo | 88,5 mil |
| 3º | Minas Gerais | 73,5 mil |
| 4º | Santa Catarina | 52,7 mil |
| … | … | … |
| ** Top 10** | Ceará | ~10 mil a 12 mil |
Na criação de peixes de cultivo, Santa Catarina ocupa posição de destaque nacional. E quando o assunto é tilápia, o Estado aparece na quarta posição entre os maiores produtores brasileiros, atrás de Paraná, São Paulo e Minas Gerais.

Fotos: Divulgação / UFC / Agência Brasil (Composição: Rádio Chapecó?
Santa Catarina produz mais de 50 mil toneladas de tilápia por ano, com a atividade distribuída por diferentes regiões e forte presença de produtores profissionalizados.
A dimensão dessa produção coloca o Estado diretamente no debate sobre o futuro da cadeia: além de produzir peixe, como transformar cada vez mais partes desse pescado em produtos de maior valor? É justamente esse movimento que começa a ganhar força no Ceará.
DO SUBPRODUTO À INDÚSTRIA DE ALTO VALOR
A maior parte do valor comercial da tilápia está concentrada na carne. A nova tecnologia amplia essa lógica ao transformar a pele do peixe em matéria-prima para um produto médico.
O projeto prevê que a fábrica comece processando aproximadamente 180 mil peles por mês, podendo chegar a 400 mil peles mensais com a expansão da capacidade. As projeções indicam faturamento de aproximadamente R$ 58 milhões no primeiro ano, podendo alcançar cerca de R$ 130 milhões anuais após a ampliação da produção.
O resultado é uma nova possibilidade de negócio para uma cadeia que envolve produtores, frigoríficos, empresas de processamento, pesquisadores e indústria.
CEARÁ APOSTA NA INOVAÇÃO
O Ceará não está entre os grandes produtores nacionais de tilápia, mas encontrou na espécie uma oportunidade para aproximar piscicultura, ciência e indústria farmacêutica. A fábrica será instalada em Jaguaribara, região ligada ao Açude Castanhão, importante polo de produção de tilápia no Estado.
O diferencial do projeto, portanto, não está apenas no volume de peixe produzido, mas na capacidade de transformar uma matéria-prima da piscicultura em um produto de maior valor agregado.
A tecnologia desenvolvida pela UFC é o exemplo de como uma pesquisa acadêmica pode ultrapassar os limites do laboratório e chegar ao mercado.
UM NOVO CAMINHO PARA A PISCICULTURA BRASILEIRA
O projeto cearense abre uma discussão que interessa diretamente aos grandes produtores, entre eles Santa Catarina. A utilização da pele da tilápia para fins médicos pode criar uma nova fonte de receita para a cadeia produtiva e aumentar o aproveitamento econômico de cada peixe.
Para um Estado que já está entre os maiores produtores nacionais da espécie, o avanço dessa tecnologia representa também uma oportunidade de pensar em novas indústrias, novos produtos e novas formas de agregar valor à produção catarinense.
A história reúne ciência, inovação, piscicultura, indústria e saúde. E coloca Ceará e Santa Catarina em pontos diferentes, mas complementares, de uma mesma cadeia: enquanto o Ceará transforma pesquisa em uma nova indústria, Santa Catarina está entre os grandes produtores da matéria-prima que sustenta esse mercado. As informações tem como fonte Agência Brasil/Radioagência Nacional, Universidade Federal do Ceará, Epagri e dados da piscicultura brasileira.

