TERREMOTO NA VENEZUELA DESPERTA APREENSÃO ENTRE CERCA DE 20 MIL VENEZUELANOS QUE VIVEM EM CHAPECÓ

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Comunidade formada por imigrantes que deixaram o país em busca de segurança e oportunidades acompanha com preocupação as notícias sobre familiares

Os fortes terremotos que atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira (24) repercutem também em Chapecó, município que abriga cerca de 20 mil venezuelanos, uma das maiores comunidades de imigrantes do Sul do Brasil. Embora a cidade esteja a aproximadamente 4,5 mil quilômetros de Caracas, a tragédia desperta apreensão e angústia entre aqueles que ainda mantêm familiares e amigos no país de origem.

Os abalos começaram às 18h04 (horário da Venezuela), quando um terremoto de magnitude 7,2 atingiu a região próxima à cidade de Morón. Apenas 39 segundos depois, às 18h05, um segundo terremoto, ainda mais forte, de magnitude 7,5, sacudiu praticamente a mesma região. Os dois tremores, considerados pelos especialistas um raro “duplo terremoto” (seismic doublet), provocaram o colapso de edifícios, danos à infraestrutura e deixaram centenas de mortos e feridos.

Nas horas seguintes aos tremores, muitos venezuelanos residentes em Chapecó passaram a acompanhar as informações divulgadas pelas autoridades e pela imprensa internacional, enquanto tentavam contato com parentes para saber se estavam em segurança.

A maioria dos venezuelanos que vive em Chapecó chegou ao Brasil nos últimos anos, fugindo da grave crise econômica, política e social enfrentada pela Venezuela. A falta de alimentos, medicamentos, oportunidades de trabalho e o colapso de serviços públicos levaram milhares de famílias a deixar o país em busca de melhores condições de vida.

Chapecó tornou-se um dos principais destinos desse fluxo migratório graças à oferta de empregos, principalmente nos setores agroindustrial, de serviços e da construção civil. Muitos chegaram por meio da Operação Acolhida, programa do Governo Federal que promove a interiorização de refugiados e migrantes para cidades com capacidade de inserção no mercado de trabalho.

Atualmente, a comunidade venezuelana está integrada ao cotidiano do município, com trabalhadores atuando em diversos setores da economia, com destaque para agroindustrias, crianças matriculadas nas escolas e famílias que buscam reconstruir suas vidas na cidade.

Enquanto isso, na Venezuela, equipes de resgate seguem atuando nas áreas mais atingidas pelos terremotos, em busca de sobreviventes e no atendimento às vítimas. A expectativa é de ampliação da ajuda humanitária internacional para atender os milhares de desabrigados e auxiliar na recuperação das regiões afetadas.