Medida criticada por consumidores mostra reação positiva na indústria, na renda e na arrecadação federal
A chamada “taxa das blusinhas”, alvo constante de debates nas redes sociais, começa a apresentar resultados expressivos para a economia brasileira. Dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que a medida ajudou a preservar cerca de 135 mil empregos e manteve R$ 19,7 bilhões circulando dentro do país.
A política passou a valer em 2024 e estabeleceu a cobrança de 20% de imposto sobre compras internacionais de até US$ 50, especialmente em plataformas estrangeiras de comércio eletrônico. A proposta buscou reduzir a concorrência desigual enfrentada pela indústria nacional.
Segundo o levantamento, cerca de R$ 4,5 bilhões em importações deixaram de entrar no Brasil após a medida. Além disso, o número de encomendas internacionais caiu mais de 10% entre 2024 e 2025, indicando uma migração parcial do consumo para o mercado interno.
Outro reflexo importante apareceu na arrecadação. O governo federal saltou de R$ 1,4 bilhão arrecadados em 2024 para R$ 3,5 bilhões em 2025 com a tributação das compras internacionais.
Para o setor produtivo, o principal ganho foi o reequilíbrio da concorrência. Antes da taxação, muitos produtos de baixo valor chegavam ao país sem recolher integralmente os tributos, o que gerava desvantagem para empresas brasileiras. Com a cobrança no ato da compra, também houve avanço no combate ao subfaturamento e outras irregularidades.
Apesar dos números positivos, a medida ainda divide opiniões. Consumidores reclamam do aumento de preços e do impacto no bolso, enquanto empresários defendem a proteção de empregos e da produção nacional.
O debate segue aberto: de um lado, compras mais baratas no exterior; de outro, a defesa da indústria brasileira, da renda e dos postos de trabalho.
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Foto: Schutterstock/Site Fies/Divulgação