EDUCAÇÃO EM CHAPECÓ: REDE MUNICIPAL AMPLIA MATRÍCULAS MAS ENFRENTA ESCASSEZ DE PROFESSORES

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Educação municipal cresce acima de 1,2 mil alunos por ano, amplia investimentos e mantém projeto das salas integrativas

A rede municipal de ensino de Chapecó tem registrado um crescimento expressivo no número de matrículas nos últimos anos. Segundo a secretária municipal de Educação, Astrit Tozzo, o sistema vem absorvendo, em média, mais de 1,2 mil novos alunos por ano, cenário que exige investimentos constantes em estrutura, transporte escolar, merenda, materiais didáticos e contratação de profissionais.

De acordo com a secretária, os dados mais recentes divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) chamaram atenção inclusive do próprio órgão federal. Ela relatou que recebeu contato do instituto questionando como Chapecó tem conseguido ampliar tanto o número de estudantes atendidos anualmente.

Enquanto a rede municipal cresce, a rede estadual apresentou redução de matrículas no município, especialmente no ensino fundamental. Conforme os números citados pela secretária, o Estado tinha 20.228 alunos em Chapecó em 2021, chegou a 26.932 em 2024 e recuou para 19.956 em 2025.

PROCURA POR QUALIDADE E MIGRAÇÃO DE FAMÍLIAS

Astrit Tozzo atribui parte desse avanço à busca das famílias pela rede municipal, motivada por projetos pedagógicos e pela percepção de qualidade no ensino. Entre os diferenciais apontados estão aulas de informática, educação financeira e empreendedorismo inseridas no currículo escolar.

Outro fator citado foi o crescimento populacional da cidade, com a chegada de imigrantes e de famílias vindas de outras regiões em busca de emprego e melhor qualidade de vida.

ORÇAMENTO E PRESSÃO POR INVESTIMENTOS

Segundo a secretária, a educação concentra a maior fatia do orçamento municipal. Ela citou aproximadamente R$ 582 milhões previstos para a área neste ano, acima de setores como urbanismo e saúde. Ainda conforme a gestora, o município costuma ultrapassar o mínimo constitucional de 25% de aplicação em educação.

Astrit ressaltou que a maior despesa da pasta é a folha de pagamento, seguida por custos com alimentação escolar, transporte, higiene e manutenção da rede.

FALTA DE PROFESSORES PREOCUPA

Um dos principais desafios atuais, segundo a Secretaria de Educação, é a escassez de profissionais para atuar nas escolas. A dificuldade é maior em disciplinas como inglês e matemática.

Astrit afirmou que concursos recentes não conseguiram preencher todas as vagas abertas, mesmo após diversas chamadas. Segundo ela, a redução de cursos superiores em algumas áreas e a desistência de profissionais da carreira docente contribuem para o problema.

SALAS INTEGRATIVAS CONTINUAM

Outro tema abordado foi o projeto das salas integrativas, implantado em dez escolas da rede municipal. A iniciativa gerou debates no início do ano e chegou a ser questionada por setores da sociedade e pelo Ministério Público.

Apesar da polêmica, a secretária confirmou que o projeto segue em funcionamento. Ela afirmou que a prefeitura prestou esclarecimentos ao Ministério Público e defendeu a proposta como um novo modelo de inclusão escolar.

Segundo Tozzo, os relatos de famílias que participam do projeto têm sido positivos e o município pretende manter a iniciativa.

EXPANSÃO COM DESAFIOS

Com crescimento contínuo na demanda por vagas, Chapecó enfrenta o desafio de expandir sua rede educacional sem comprometer a qualidade do atendimento. Para a gestão municipal, o cenário exige planejamento permanente, ampliação de estruturas e valorização dos profissionais da educação.

Foto: Taiane Lago/Rádio Chapecó