Pesquisa inédita reúne dados para orientar políticas públicas de saúde, educação e inclusão no Brasil
Santa Catarina integra um estudo científico inédito no país voltado ao levantamento de dados sobre pessoas com paralisia cerebral. A Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE) participa do Registro Brasileiro de Paralisia Cerebral, iniciativa nacional que busca traçar o perfil epidemiológico e sociodemográfico de crianças, adolescentes e adultos com a condição. O projeto faz parte de redes científicas internacionais e pretende reunir informações que ajudem na formulação de políticas públicas mais eficazes para essa população.
A participação da FCEE ocorre por meio de profissionais do Centro de Reabilitação Ana Maria Philipi (Cener), que realizam a coleta de dados de pessoas atendidas pela instituição. Em 2025, foram mapeados 37 casos entre educandos, ex-educandos e servidores. O trabalho envolve entrevistas individuais com pessoas com paralisia cerebral ou familiares responsáveis, realizadas presencialmente ou por videochamada, com levantamento de informações clínicas, educacionais e sociais.
O estudo é coordenado nacionalmente pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e conta com a participação de instituições de saúde e educação de todos os estados brasileiros. Em Santa Catarina, a iniciativa também envolve a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), por meio do curso de Fisioterapia do campus de Araranguá.
A pesquisa começou no Brasil em agosto de 2024 e, nos primeiros seis meses, identificou 591 casos registrados. Dados preliminares indicam que 42,5% das pessoas com paralisia cerebral não são alfabetizadas, 50,3% nasceram prematuras e 71,6% tiveram lesões cerebrais durante a gestação ou nos primeiros 28 dias após o nascimento. As análises estatísticas e a divulgação dos resultados são realizadas pela equipe coordenadora da UFMG, enquanto as instituições parceiras ficam responsáveis pela coleta das informações conforme protocolos nacionais.
Foto: Divulgação/FCEE