Medida entra em vigor em 21 de janeiro de 2026 e se soma à revogação de mais de 100 mil vistos; vistos de curta duração (turismo, estudo e negócios) continuarão sendo emitidos normalmente
O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (14) a suspensão do processamento de vistos de imigração para cidadãos do Brasil e de outros 74 países, uma política que passa a vigorar a partir de 21 de janeiro de 2026 e que se soma a outra decisão recente do Departamento de Estado de revogar mais de 100 mil vistos já emitidos. A suspensão de novos pedidos será mantida por tempo indeterminado, enquanto Washington revisa seus critérios de concessão de vistos.
Impacto para o Brasil
Para cidadãos brasileiros, a soma de medidas restritivas significa que pedidos de vistos de imigração — como para residência, trabalho permanente ou reunificação familiar — ficarão congelados a partir de 21 de janeiro de 2026. Ao mesmo tempo, vistos de curta duração (turismo, estudo e negócios) continuarão sendo emitidos normalmente, sem alteração nos procedimentos.
Segundo a Casa Branca, a revisão visa reforçar critérios como recursos financeiros, idade, saúde, proficiência no inglês e risco de dependência de assistência pública — parâmetros considerados no sistema migratório norte-americano sob o conceito de public charge. Apesar de o governo americano afirmar que a decisão é técnica, ela reflete um endurecimento claro na política migratória dos EUA e amplia barreiras para quem busca residência permanente.
Revogação de mais de 100 mil vistos
A suspensão ocorre no rastro de outra decisão do Departamento de Estado norte-americano: a revogação administrativa de mais de 100 000 vistos já concedidos a estrangeiros — inclusive brasileiros — sob justificativas que incluem a necessidade de revisão de critérios de elegibilidade ou inconsistências nos pedidos originais. Segundo o governo dos EUA, tais revogações fazem parte de esforços para assegurar que os vistos emitidos reflitam exatamente as normas vigentes.
Na prática, a medida trava pedidos de residência permanente, trabalho e reunificação familiar, enquanto critérios mais rígidos — como idade, saúde, capacidade financeira e inserção produtiva — passam a pesar ainda mais. Para milhares de brasileiros, isso representa processos congelados, planos interrompidos e risco real de perda de status migratório.
O que esperar
Com os efeitos dessas medidas migratórias, espera-se que:
- Brasileiros com planos de imigração aguardem por clarificação de regras e possíveis datas de retomada do processamento de vistos;
- A comunidade diplomática brasileira esteja sob pressão para fortalecer canais de diálogo com Washington, buscando minimizar impactos sobre cidadãos e empresas;
- A decisão americana seja objeto de debates tanto na esfera política quanto na sociedade civil, à medida em que potenciais imigrantes buscam informações e alternativas.
Especialistas apontam que o endurecimento ocorre em um momento de enfraquecimento da interlocução diplomática do Brasil com os EUA, marcado por alinhamentos ideológicos e falta de pragmatismo econômico. A ausência de uma reação firme do governo brasileiro reforça a percepção de que cidadãos acabam arcando com os custos de uma política externa pouco funcional.
Com a revogação de vistos já emitidos, o ambiente se torna ainda mais hostil para quem trabalha, estuda ou mantém família nos Estados Unidos. O resultado é um clima de incerteza, que afeta diretamente brasileiros produtivos e legalizados, justamente em um dos principais destinos de oportunidades do mundo.
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Foto: Imagem ilustrativa IA/Redação Rádio Chapecó