TECNOLOGIA BRASILEIRA PERMITE IDENTIFICAR SINAIS DE AUTISMO EM BEBÊS

Proposta foi patenteada recentemente pela UFF

Identificar sinais de autismo nos primeiros meses de vida de um bebê. Essa é a proposta de uma tecnologia desenvolvida na Universidade Federal Fluminense e que recentemente foi patenteada.  

Um kit de baixo custo, que permite o rastreio precoce de sinais do transtorno do espectro autista, a partir da observação da interação social de bebês com estímulos visuais.

A professora Diana Negrão explica como funciona essa tecnologia.  

“O olhar da criança a primeira motivação da criança vai direcionar, sempre de forma dual, a apresentação de duas fotos de contextos similares. A criança tende a olhar por mais tempo e de mais interação com aquela foto — e se for autista — para aquela foto que exerça uma menos interações humanas. Então, por exemplo, um conjunto de fotos onde tem a cor vermelha. Só se a cor vermelha de uma boca e a cor vermelha de uma flor, a tendência da criança autista é tendenciar para olhar a flor com mais intensidade do que a boca humana”.

Diana ressalta que o diferencial desse teste é que ele não é de uso exclusivo por médicos ou terapeutas, o que permite acelerar a busca por diagnóstico. 

“Ele pode também ser utilizado em contexto educacional para rastreamento precoce e aí já direcionar os desenvolvimentos específicos daquela fase do desenvolvimento muito precocemente, por exemplo, em ambiente de creche. A ideia é ser auxiliar de diagnóstico e não um determinante de diagnóstico, mas é de baixo custo porque eu não preciso de ter um treinamento extremamente custoso para isso. O treinamento, ele é muito simplificado porque a ferramenta é simplificada”.

A professora reforça que o teste não substitui o diagnóstico clínico, formado por relatos da família e de múltiplos profissionais. Ele é uma ferramenta de auxílio, em especial para populações mais vulneráveis.

“A gente tem uma demora substancial no diagnóstico de crianças com autismo de baixa renda, principalmente pelo acesso aos profissionais que podem fechar o diagnóstico. Só que tem alguns déficits que você não precisa — e principalmente quando a gente fala a nível educacional — nós não precisamos de laudo para fazer adaptações e fazer intervenções de desenvolvimento. Então, a gente precisa caracterizar prováveis déficits e assim intervir o mais precocemente possível”.

O kit de rastreamento precoce de autismo em bebês a partir de quatro meses foi desenvolvido durante o doutorado em Ciências e Biotecnologia da pesquisadora Gisele Soares do Nascimento. A ideia surgiu pela vivência de Gisele, uma pessoa com autismo, diagnosticado por volta dos dez anos de idade.  

Ela se incomodava com demora nas intervenções que podem prevenir comorbidades nas pessoas com autismo, e o teste representa uma possibilidade de minimizar os prejuízos no desenvolvimento dessas pessoas.

Após receber a patente, a universidade vai validar a tecnologia para uma amostra maior, inclusive fora do ambiente acadêmico, e buscar parceiros para comercializar o kit.

Foto e Fonte: Divulgação/Agência Brasil

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