Norma passa a exigir avaliação de riscos psicossociais nas empresas e terá fiscalização a partir de maio de 2026
A saúde mental dos trabalhadores passa a ter maior peso nas rotinas das empresas brasileiras com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR1), que entra em vigor no dia 26 de maio de 2026. A medida amplia a exigência de controle sobre riscos psicossociais no ambiente de trabalho, como estresse, sobrecarga e relações tóxicas, e prevê fiscalização por parte do Ministério do Trabalho e para falar sobre o assunto, o Chapecó Notícias 1ª Edição recebeu, neste dia 01 de maio, feriado do Dia do Trabalhador, as psicólogas Adriana Land e Edione Vial.
AVALIAÇÃO OBRIGATÓRIA E PLANO DE AÇÃO
A principal mudança é a obrigatoriedade da avaliação do ambiente organizacional sob o ponto de vista da saúde mental. A psicologa Edione Vial destaca que a análise é feita por meio de questionários validados, que resultam em um inventário de riscos e na elaboração de um plano de ação. A partir disso, as empresas devem estabelecer prazos para corrigir problemas identificados, sendo que situações consideradas críticas precisam ser resolvidas em até 30 dias.
Edione também ressalta que a norma vale para todas as empresas que possuem ao menos um trabalhador contratado pelo regime CLT, independentemente do porte ou setor de atuação. Embora não seja obrigatória para equipes formadas apenas por profissionais PJ, a recomendação é que a avaliação também seja aplicada nesses casos, como forma de qualificar o ambiente de trabalho.
FOCO NO AMBIENTE, NÃO NO INDIVÍDUO
Outro ponto que teve destaque na conversa com as psicologas é de que a análise não se concentra no indivíduo, mas no coletivo. Ou seja, o foco está nas condições oferecidas pela empresa e em como elas impactam a saúde mental dos trabalhadores. Ambientes com falhas de comunicação, ausência de canais de denúncia, liderança despreparada ou excesso de carga horária estão entre os principais fatores de risco.
Edione alerta que a norma não deve ser tratada apenas como uma exigência burocrática. A simples aplicação dos questionários, sem a execução das melhorias apontadas, pode agravar os problemas internos e aumentar o desgaste entre os trabalhadores.
AFASTAMENTOS E IMPACTOS JUDICIAIS
Dados apresentados durante a entrevista indicam que os afastamentos por questões psicológicas cresceram entre 15% e 20% no último ano, com destaque para profissionais da área da saúde. O adoecimento mental já figura como um dos principais motivos de processos na Justiça do Trabalho, o que acende um alerta para empregadores.
Além das perdas humanas, o impacto financeiro também é significativo, envolvendo custos com afastamentos, rotatividade e ações judiciais.
MUDANÇA DE CULTURA NO PÓS-PANDEMIA
A discussão sobre saúde mental ganhou força após a pandemia de Covid-19, período em que houve aumento na procura por atendimento psicológico e maior conscientização sobre o tema, como relata a psicologa Adriana Land. A responsabilidade pelo bem-estar no trabalho, que antes era vista como individual, passa agora a ser compartilhada com as organizações.
A norma também reforça a necessidade de políticas internas para prevenir assédio moral e sexual, além da criação de canais seguros para denúncias.
DESAFIOS PARA EMPRESAS E LIDERANÇAS
As especialistas apontam que a capacitação de lideranças é vista como um dos principais desafios. Gestores despreparados podem contribuir diretamente para ambientes de trabalho prejudiciais, especialmente em contextos de pressão por metas e excesso de jornada.
Por fim, Adriana e Edione afirmam que a expectativa é que a implementação da NR1 contribua para a redução de afastamentos, melhoria do clima organizacional e aumento da produtividade. Para isso, as especialistas destacam que é fundamental que empresas adotem uma postura ativa, com foco no cuidado com as pessoas e não apenas no cumprimento formal da legislação.
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Foto: Taiane Lago/Rádio Chapecó
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