Pesquisa da CNC mostra aumento das dívidas em janeiro, com redução contínua das contas em atraso
O percentual de famílias brasileiras com algum tipo de dívida alcançou 79,5% em janeiro, o maior nível já registrado no país, igualando o recorde observado em outubro do ano passado. O dado faz parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), e reflete o avanço do uso de crédito, especialmente em um cenário de orçamento pressionado.
Apesar do crescimento do endividamento, a inadimplência apresentou queda pelo terceiro mês consecutivo. Em janeiro, 29,3% das famílias tinham contas em atraso, abaixo dos 30,5% registrados em outubro. O recuo indica melhora gradual na capacidade de pagamento, mesmo com o alto comprometimento da renda com dívidas. Em média, os débitos consomem 29,7% do orçamento familiar e o prazo restante para quitação é de pouco mais de sete meses.
O endividamento é mais frequente entre famílias com renda de até três salários mínimos, onde atinge 82,5% dos lares. Já entre aqueles com renda superior a dez salários mínimos, o índice cai para 68,3%. O cartão de crédito segue como principal forma de dívida, presente em mais de 85% dos casos, seguido por carnês, crédito pessoal e financiamentos imobiliários e de veículos.
A inadimplência também apresenta forte relação com a renda. Entre famílias de menor rendimento, quase 39% possuem contas atrasadas, enquanto nos domicílios com renda mais elevada o percentual fica abaixo de 15%. O tempo médio de atraso ultrapassa dois meses, e 12,7% das famílias afirmam não ter condições de quitar os débitos pendentes.
Segundo a CNC, os juros elevados continuam sendo um dos principais obstáculos para a redução mais consistente das dívidas. A taxa Selic permanece em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006, encarecendo o crédito e restringindo o consumo. Ainda assim, a entidade projeta que a inadimplência deve continuar em queda nos próximos meses, enquanto o endividamento tende a seguir em alta no primeiro semestre, impulsionado pela expectativa de redução gradual dos juros a partir do segundo trimestre.
Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil
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