CORREIOS ANUNCIAM “PRESENTE DE ANO NOVO” EM MEIO À CRISE

Empréstimo bilionário, corte de até 15 mil empregos e fechamento de 1 mil unidades; foto: Divulgação/Correios

Em um dos momentos mais delicados de sua história recente, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos apresentou, na manhã desta segunda-feira (29), durante coletiva de imprensa em Brasília, os principais pontos do Plano de Reestruturação Financeira 2025–2027. A iniciativa, segundo a direção da estatal, busca evitar um colapso financeiro, mas deve provocar impactos profundos no quadro de funcionários.

Sob forte pressão econômica, com prejuízos acumulados superiores a R$ 6 bilhões em 2025, os Correios confirmaram a contratação de um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a um consórcio formado por Bradesco, Itaú, Santander, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, com garantia do Tesouro Nacional. O objetivo é reforçar o caixa ainda neste fim de ano e viabilizar a reorganização operacional da empresa.

Para milhares de trabalhadores, no entanto, a medida chega como um “presente de Ano Novo” de gosto amargo. Embora o aporte financeiro afaste o risco imediato de insolvência, ele está condicionado a um amplo programa de corte de despesas, tendo a redução de pessoal como eixo central da estratégia.

PDV e reestruturação do quadro funcional

O principal instrumento do plano é a reabertura do Programa de Demissão Voluntária (PDV), que pode atingir até 15 mil empregados até 2027, o equivalente a cerca de 18% do quadro total da estatal. Os desligamentos estão previstos para ocorrer ao longo de 2026 e 2027.

Durante a coletiva, a direção dos Correios justificou a medida destacando que:

  • cerca de 90% das despesas da empresa são fixas, o que limita ajustes rápidos diante da queda de receitas e do aumento da concorrência no setor logístico;
  • a modernização e reorganização dos processos exigem uma redução significativa da estrutura de custos;
  • o PDV integra um pacote mais amplo, que inclui o fechamento de aproximadamente 1.000 unidades de atendimento e a ampliação de parcerias com o setor privado.

Analistas econômicos ouvidos por veículos como Gazeta do Povo e Metrópoles avaliam que o plano pode gerar uma economia anual de bilhões de reais, fortalecendo o discurso oficial de busca por sustentabilidade financeira. Ao mesmo tempo, reconhecem que o impacto social da medida será expressivo, atingindo diretamente a vida de milhares de servidores.

Um “presente” que divide opiniões

Na avaliação da diretoria e do governo federal, o empréstimo bilionário funciona como um fôlego indispensável para garantir o pagamento de salários, honrar compromissos financeiros e manter as operações em um período considerado crítico para o setor de logística.

Entre os trabalhadores, porém, o clima é de incerteza. Empregados próximos da aposentadoria ou com menor tempo de serviço veem no PDV um futuro profissional indefinido em um mercado de trabalho já pressionado. Sindicatos e representantes da categoria alertam que, mesmo com eventuais incentivos financeiros, a perda de renda, benefícios e estabilidade gera apreensão e tem motivado mobilizações em diversas regiões do país.

Desafios e perspectivas

Os Correios enfrentam um conjunto de desafios estruturais, entre eles:

  • queda de receitas, especialmente nos serviços tradicionais de correspondência;
  • elevação dos custos operacionais e financeiros;
  • concorrência crescente de empresas privadas no mercado de encomendas;
  • necessidade urgente de modernização tecnológica e organizacional.

Diante desse cenário, o plano apresentado na coletiva em Brasília é tratado como um divisor de águas: um remédio considerado necessário para evitar um colapso irreversível, mas que impõe sacrifícios significativos à força de trabalho em um momento de retomada econômica no país.

Ao final da apresentação, a diretoria dos Correios reforçou que sem mudanças estruturais profundas, os prejuízos podem se agravar e comprometer a missão histórica da empresa de integrar o território nacional. O desafio agora será transformar o plano em resultados concretos, conciliando equilíbrio financeiro e responsabilidade social, sem comprometer de forma irreversível o futuro de milhares de trabalhadores.

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