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CIDADES INTELIGENTES ALÉM DA TECNOLOGIA: O DESAFIO DA INCLUSÃO

Assunto ganhou destaque na manhã desta terça-feira (31) na Rádio Chapecó FM

A política de envelhecimento ativo de Chapecó ganhou projeção nacional ao colocar o município entre os finalistas de 2026 do Smart City Expo Curitiba Brazilian Awards, na categoria Equidade Social, com um projeto que reúne atendimento gratuito, inclusão digital, convivência e inovação voltada à população idosa. Na prática, o reconhecimento reforça uma estratégia pública que hoje atende cerca de 2 mil idosos cadastrados, com aproximadamente 500 participantes por dia e oferta diária de 300 refeições, além de atividades de saúde, educação, lazer e integração social.

A agenda desta quinta-feira, 26, em Curitiba, será acompanhada pelo secretário de Governo da Prefeitura de Chapecó e pela diretora de Modernização Administrativa do Programa Cidades Inteligentes, Kátia Eloisa Bertol. O município disputa a premiação com o projeto “Cidade do Idoso: Inclusão e Qualidade de Vida”, apresentado como uma política pública voltada à redução de desigualdades, à promoção da autonomia e à melhoria da qualidade de vida da população com 60 anos ou mais. Para a administração municipal, o fato de Chapecó figurar entre os finalistas já representa um reconhecimento institucional do modelo adotado.

Na manhã desta terça-feira (31), a Diretora do Programa Cidade Inteligente, Katia Eloisa Bertol participou do Chapecó Notícias e falou sobre o assunto

Mais do que um espaço de atendimento, a Cidade do Idoso foi estruturada como uma ação intersetorial da Prefeitura de Chapecó, gerida pela Secretaria de Assistência Social e articulada com as áreas de Saúde, Cultura, Esportes e Educação. O projeto foi concebido em 2008 e, desde então, passou a incorporar novas frentes de atuação conforme a demanda dos próprios participantes, num formato baseado em escuta ativa e ampliação contínua dos serviços.

Entre as atividades ofertadas estão hidroginástica, academia, pilates, grupos de caminhada, cinema, salão de beleza, restaurante, aulas de informática e ações de inclusão digital. Em 2011, o município também implantou a UMIC, a Universidade da Melhor Idade, como braço educacional gratuito voltado à socialização, formação continuada e inclusão da população idosa. O conjunto da iniciativa sustenta uma política pública que combina assistência, convivência, saúde preventiva e permanência ativa na vida comunitária.

O componente mais estratégico do projeto, no entanto, está na tentativa de integrar envelhecimento e inovação urbana. Em 2025, a proposta passou a se conectar mais diretamente ao ecossistema de cidades inteligentes com duas frentes centrais: o projeto Mentes Digitais 60+ e o CRIE, Centro de Referência para Inovação no Envelhecimento, ainda em implementação. A primeira iniciativa busca ampliar a autonomia dos idosos no uso de tecnologias, fortalecer a segurança digital e criar vínculos intergeracionais com a participação de estudantes voluntários da área de tecnologia. Já o CRIE foi desenhado para reunir pesquisa, desenvolvimento e inovação em produtos e serviços voltados ao envelhecimento, com participação de universidades, startups e do ecossistema local de inovação.

Do ponto de vista político e administrativo, a indicação insere Chapecó no debate sobre cidades inteligentes ao deslocar o foco da tecnologia como infraestrutura para a tecnologia como ferramenta de inclusão social. É esse enquadramento que aproxima o projeto da categoria Equidade Social da premiação, voltada a iniciativas que estimulem protagonismo cidadão, participação social ativa, redução das desigualdades e melhoria da qualidade de vida por meio de soluções inovadoras.

A candidatura também reforça uma narrativa de cidade que busca associar desenvolvimento urbano à proteção social, em um momento em que o envelhecimento da população amplia a pressão sobre os sistemas públicos de saúde, assistência e mobilidade. Nesse cenário, a Cidade do Idoso é apresentada como um modelo replicável, sustentado pela gratuidade dos serviços, pela integração entre áreas da administração e pela eliminação de barreiras de acesso, entre elas, o transporte público gratuito para pessoas com 65 anos ou mais.

Além das ações de atendimento e inovação, o projeto mantém um eixo voltado à preservação da memória, com atividades de compartilhamento de histórias de vida, valorização do patrimônio cultural e fortalecimento do vínculo entre gerações. A proposta é tratada pela Prefeitura como parte de uma visão mais ampla de cidade inclusiva, capaz de incorporar o envelhecimento ativo como componente permanente do planejamento urbano e social.

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